O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, nas últimas semanas, o pedido de credenciamento da Eurolat Global Democracy Forum, entidade sediada em Madri, na Espanha, para atuar como missão internacional de observação das eleições de 2026.
Segundo o tribunal, o grupo não comprova vínculo com universidades, organismos internacionais ou centros de pesquisa reconhecidos — critério exigido para esse tipo de credenciamento eleitoral.
Ligações da missão rejeitada
O TSE observou que a organização usa nome semelhante ao da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat), organismo oficial criado em 2006 para aproximar União Europeia e América Latina, com vínculo institucional ao Parlamento Europeu.
Entre os integrantes da missão rejeitada estava Ahmed Adeeb, ex-vice-presidente das Maldivas condenado por corrupção em seu país, e o brasileiro Maurício Galante, vereador na cidade de Arlington, no Texas (EUA), que se apresenta como presidente do Instituto Harpia nos Estados Unidos.
No Brasil, o instituto é presidido pelo ex-deputado federal Major Vitor Hugo e tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como presidente de honra. Em entrevistas e redes sociais, Galante defende as tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil e a aplicação da Lei Magnitsky a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A negativa, baseada na Resolução nº 23.678/2021 do TSE, ocorre dias depois de ministros do STF e do próprio tribunal cobrarem um discurso mais duro contra a missão americana que tentava questionar as urnas eletrônicas.
Outros pedidos e repercussão
Cada solicitação para acompanhar o pleito brasileiro é analisada individualmente pelo TSE. Além do caso da Eurolat, outros dois pedidos seguem em avaliação, entre eles o da Transparencia Electoral, que diz atuar pela integridade e equidade dos processos eleitorais na América Latina.
O episódio se soma a uma sequência de tentativas de interferência estrangeira questionadas por autoridades brasileiras. Dias antes, Flávio Bolsonaro havia pedido a diplomatas de quase 50 países o envio de mais observadores eleitorais, repetindo acusações contra as urnas que o TSE já havia desmentido. O Itamaraty, por sua vez, negou visto a dois diplomatas americanos que buscavam se reunir com o tribunal.
Para 2026, o TSE já credenciou representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União Europeia, da União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e da Rede dos Organismos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP).
