O Brasil publicou em 2025 a Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, que substitui gradualmente o Papanicolau pelo teste molecular de HPV no SUS ao longo dos próximos cinco anos.
A mudança permite a autocoleta vaginal, feita pela própria mulher em casa ou em qualquer local, ampliando o acesso entre quem enfrenta barreiras para o exame ginecológico tradicional.
Foco em mulheres negras e quilombolas
Mulheres negras, urbanas e quilombolas estão entre as mais afetadas pelo câncer do colo do útero no Brasil e registram as maiores taxas de mortalidade, que seguem em alta ao longo dos anos. Diante desse cenário, a Rede Previna-se, fundada em 2013 por uma professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), lançou em 2024 um estudo voltado exclusivamente a essas mulheres.
O projeto “Autocoleta para teste de HPV como estratégia de promoção da equidade e de diminuição da morbimortalidade por câncer do colo do útero em mulheres negras das diferentes macrorregiões brasileiras” foi aprovado pela Chamada Pública nº 21/2023 do CNPq, voltada a estudos transdisciplinares em saúde coletiva.
A pesquisa acontece em três macrorregiões econômicas: Maringá (PR) e Dourados (MS), no Centro-Sul; Manaus (AM), na Amazônica; e Natal (RN) e Recife (PE), no Nordeste. Ao todo, 600 mulheres vinculadas a Unidades Básicas de Saúde vão receber um dispositivo simples para realizar a autocoleta em casa.
Agentes Comunitários de Saúde e lideranças comunitárias foram treinados pela Rede Previna-se para explicar o HPV e o câncer do colo do útero durante visitas domiciliares, convidando mulheres a participar da busca ativa que já está em andamento nos cinco municípios.
As amostras coletadas seguem para laboratório especializado, que identifica os tipos de HPV de alto risco. Mulheres com resultado positivo são encaminhadas para acompanhamento e tratamento, permitindo diagnóstico antes do surgimento da doença.
A expectativa é que os resultados subsidiem políticas públicas de rastreamento mais equitativas. A frente de diagnóstico se soma à prorrogação da campanha de vacinação contra o HPV para adolescentes de 15 a 19 anos, com meta de imunizar 600 mil jovens até dezembro de 2026. Combinação parecida já mostrou resultado concreto na Inglaterra, onde nenhuma mulher entre 20 e 24 anos morreu de câncer cervical em cinco anos consecutivos após ampla cobertura vacinal.