Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, foi convocada nesta semana para depor na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, onde voltou a ser alvo de ataques de parlamentares.
Deputados como Evair Vieira Melo, Zé Trovão e capitão Alberto Neto criticaram sua gestão e fizeram ofensas pessoais, enquanto Marina respondeu dizendo estar “em paz” após oração.
O episódio repete situações anteriores, como em maio, quando a ministra deixou uma sessão no Senado após declarações consideradas machistas.
Ofensas e críticas durante audiência
Durante a audiência na Comissão de Agricultura, Evair Vieira Melo (PP-ES) utilizou termos como “adestrada” e “mal-educada” para se referir à ministra, além de afirmar que ela “nunca trabalhou” ou “produziu” algo.
O deputado Zé Trovão (PL-SC) classificou Marina como uma “vergonha como ministra”, enquanto o capitão Alberto Neto (PL-AM) sugeriu que ela deveria “pedir demissão”. O presidente da comissão, Rodolfo Nogueira (PL-MS), acusou Marina de protagonizar “um dos capítulos mais contraditórios e desastrosos da política ambiental brasileira” e afirmou que, sob sua gestão, o desmatamento na Amazônia aumentou 482%.
Segundo Nogueira, “ao contrário da narrativa da senhora, de que hoje a culpa do desmatamento não é mais do Bolsonaro e a culpa dos incêndios das queimadas, do aumento das queimadas, não são mais culpa do presidente Bolsonaro, a culpa hoje é de São Pedro”.
Resposta de Marina Silva e contexto ambiental
Marina Silva respondeu que fez uma longa oração antes da audiência e afirmou estar “em paz”. Ela explicou que o aumento dos incêndios em 2024 se deve a extremos climáticos que afetam não só o Brasil. “Qualquer pessoa que não seja negacionista sabe que a seca com baixa precipitação, temperatura alta, perda de umidade, potencializa os incêndios, potencializa em todos os níveis”, declarou.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que o Brasil enfrentou a maior seca da história em 2024. O MapBiomas mostrou que o país perdeu 30 milhões de hectares por queimadas neste ano, 62% acima da média histórica. Entre agosto e outubro ocorreram 72% das queimadas de 2024, sendo um terço apenas em setembro.
Repercussões e episódios anteriores
O episódio na Câmara não foi isolado. No fim de maio, Marina Silva abandonou uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado após ser alvo de declarações consideradas machistas. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) afirmou desejar “separar a mulher da ministra”, alegando que só a mulher merecia respeito. Marina exigiu um pedido de desculpas e, diante da recusa do parlamentar, deixou a sessão.
Esses episódios evidenciam a tensão entre a ministra e parte do Congresso, especialmente em temas ligados à política ambiental e à criação de áreas de conservação na região Norte. O governo também enfrenta embates com o Legislativo em outras áreas, como na judicialização do IOF, destacando o ambiente de disputa política em Brasília.