O diretório municipal do Partido Verde (PV) em São Paulo anunciou apoio formal à pré-candidatura de Marina Silva (Rede) ao Senado Federal. A decisão foi oficializada após reunião entre lideranças das duas legendas realizada na semana passada.
A ex-ministra do Meio Ambiente disputa com o ex-ministro Márcio França (PSB) pela segunda vaga governista para o Senado por São Paulo nas eleições de outubro. A primeira posição deve ficar com Simone Tebet (PSB), e a palavra final cabe ao presidente Lula.
Histórico e base de apoio
O PV paulistano classificou a pré-candidatura de Marina como “um salto de qualidade para o Senado e uma voz fundamental de apoio ao presidente Lula”. O encontro entre as lideranças teve como pautas o desenvolvimento sustentável e a defesa da democracia, segundo publicação nas redes sociais da legenda.
A aproximação tem raiz histórica: Marina foi filiada ao PV e disputou a Presidência da República pelo partido em 2010. Depois, migrou para o PSB enquanto liderava a fundação da Rede Sustentabilidade, onde permanece desde 2015.
Além do PV, PSOL e PDT já haviam declarado apoio ao nome da ex-ministra. A Federação PSOL-Rede tem pressionado ativamente por uma das vagas, argumentando que não seria razoável ceder ambas ao PSB.
A pouco mais de um mês do início das convenções partidárias, a composição da chapa da esquerda em São Paulo segue indefinida. Marina resumiu o impasse em declaração recente: “É legítimo ter uma candidatura do PSB do mesmo jeito que é legítimo ter uma participação da Federação Rede-PSOL na chapa majoritária. Esse processo está sendo liderado pelo ministro Fernando Haddad (…) Temos evoluído e eu tenho certeza que haveremos de encontrar o melhor caminho para o desenlace dessa segunda vaga.”
O que muda na chapa de Haddad
A definição da segunda vaga ao Senado terá impacto direto na candidatura ao governo de São Paulo encabeçada por Fernando Haddad (PT). O ex-ministro já sinalizou que o posto de vice-governador deve ser destinado a quem ficar fora da disputa entre Simone Tebet, Márcio França e Marina Silva.
Com as convenções se aproximando, o PT paulista precisa equilibrar as demandas da federação governista sem desgastar aliados antes da largada oficial das campanhas. A negociação está nas mãos de Haddad, mas a decisão final permanece com Lula.
O cenário ilustra a dificuldade de compor chapas amplas em estados com múltiplos partidos aliados: cada posição definida impõe um rearranjo nos demais nomes, elevando o custo político de qualquer escolha — e deixando candidatos e legendas em compasso de espera.
