Após três anos e meio à frente do governo de Goiás, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o atual governador Daniel Vilela (MDB) cumpriram 10 das 22 promessas de campanha assumidas em 2022, segundo levantamento do g1.
Caiado renunciou ao cargo em abril para concorrer à Presidência da República, e Vilela assumiu o comando do Executivo estadual, hoje como pré-candidato à reeleição em Goiás.
Segurança pública e saúde puxam os avanços
Na área de segurança, o sistema de videomonitoramento com inteligência artificial, lançado em janeiro de 2026, já ajudou a solucionar 1,3 mil ocorrências, recuperar mais de 880 veículos e realizar mais de 830 prisões. A tecnologia funciona hoje em 11 municípios, com previsão de chegar a 194 cidades e 4.435 câmeras. O governo também transferiu o presídio semiaberto de Aparecida de Goiânia — demolido em 2024 — e abriu unidades em Formosa e Novo Gama, que somam 700 novas vagas prisionais.
Na saúde, o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) foi inaugurado em junho de 2025 e hoje atende crianças, adolescentes e jovens adultos com câncer ósseo. Já a Rede Goiana de Prevenção e Tratamento de Dependentes Químicos, prometida na campanha, não saiu do papel — o governo alega ter estruturado a Rede de Atenção Psicossocial, com 102 Caps, como alternativa.
Infraestrutura em ritmo mais lento
Das 200 pontes de concreto armado prometidas, apenas 69 foram concluídas até maio de 2026, embora outras 108 estejam em execução. O programa Goiás de Fibra, que prometia internet de alta velocidade em escolas, delegacias e hospitais, também não saiu da fase preparatória: o governo criou a operadora estadual e realizou o leilão, mas a rede ainda não está no ar. Enquanto isso, o Mato Grosso já distribuiu 142,7 mil chromebooks e substituiu 261 pontes de madeira por estruturas de concreto no mesmo período, ritmo mais acelerado que o de Goiás, onde alunos da 1ª série do Ensino Médio ainda esperam pelos equipamentos.
Turismo e outras promessas ficam para trás
A criação do Sistema Estadual de Turismo, que previa fundo próprio e governança autônoma para o setor, sequer chegou a ser enviada como projeto de lei à Assembleia Legislativa. O próprio Plano Estadual do Turismo, divulgado pelo governo em julho de 2025, reconhece a ausência do sistema como uma fragilidade do setor goiano.
Outras promessas não saíram do papel, como a Escola Goiana de Construção Civil Comunitária e a ampliação da CNH Social para motoristas das categorias C, D e E. Já a reforma do Estádio Serra Dourada e do Ginásio Goiânia Arena teve apenas o projeto apresentado, sem início das obras.
O padrão de cumprimento parcial se repete em outros estados. Assim como o Rio Grande do Sul demoliu o antigo presídio central de Porto Alegre para erguer uma nova cadeia pública, Goiás seguiu caminho semelhante ao derrubar o presídio semiaberto de Aparecida de Goiânia e abrir novas unidades em Formosa e Novo Gama.
