O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), cumpriu integralmente 25 das 39 promessas feitas durante a campanha à reeleição em 2022, segundo levantamento do projeto Promessas dos Políticos, do g1.
O balanço considera as entregas feitas entre janeiro de 2023 e junho de 2026, os primeiros três anos e meio do segundo mandato gaúcho.
Saúde avança, mas fila cirúrgica resiste
Na área da saúde, o governo cumpriu a meta de mais de 100 mil cirurgias contratadas por ano — foram 118.200 cirurgias entre agosto de 2022 e 2023, número que saltou para 214.920 entre maio de 2025 e 2026. Também abriu 275 novos ambulatórios de especialidades, reestruturou o modelo de contribuição do IPE Saúde e ampliou os leitos de saúde mental no interior do estado.
Apesar dos avanços, uma das promessas mais lembradas da campanha eleitoral — zerar as filas de cirurgias eletivas — não foi cumprida. O governo argumenta ter investido mais de R$ 1 bilhão no programa Avançar na Saúde e que o novo sistema de gestão das filas, o Gerint, ainda está em fase de implantação.
Segurança pública tem avanços parciais
Na segurança, Leite cumpriu a promessa de demolir o antigo presídio central de Porto Alegre — reinaugurado como Cadeia Pública após R$ 139 milhões investidos — e de construir a nova penitenciária de Charqueadas. Mas a reposição do efetivo policial não avançou: o número de agentes caiu de 28.722, em 2022, para 26.762 em junho de 2026, segundo os dados originais divulgados à época. O governo contesta o número inicial e alega crescimento no efetivo.
A instalação de bloqueadores de sinal nos presídios, outra promessa de combate ao narcotráfico, também não avançou como prometido: o contrato com a empresa responsável foi rescindido em março por perda de confiança, sem qualquer pagamento realizado.
No campo fiscal, o Rio Grande do Sul manteve os cofres no azul ao longo do mandato, com superávits de R$ 3,6 bilhões em 2023, R$ 836 milhões em 2024 e R$ 2,7 bilhões em 2025 — resultado que sustentou a adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal e, mais recentemente, ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Na educação, o programa Todo Jovem na Escola e a merenda escolar tiveram reforço orçamentário, mas a principal promessa da campanha — levar turno integral a 50% das escolas de ensino médio — ficou pelo caminho: das 550 escolas prometidas, apenas 432 aderiram ao modelo até agora.
O desempenho gaúcho contrasta com o de outros estados monitorados pelo mesmo projeto do g1. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas cumpriu integralmente apenas 17 das 40 promessas de 2022, proporção inferior à de Leite. Na Bahia, o quadro é ainda mais defasado: Jerônimo Rodrigues entregou 33 das 92 promessas assumidas, menos de quatro em cada dez compromissos.
