Os governos de Helder Barbalho e Hana Ghassan, ambos do MDB, cumpriram integralmente apenas 6 das 27 promessas de campanha assumidas para o Pará em 2022, segundo levantamento do projeto Promessas dos Políticos, do g1, que avalia os primeiros três anos e meio de mandato.
Compromissos como a construção do Hospital Pediátrico de Ananindeua e do Hospital do Leste, em Paragominas, além da entrega de 500 pontes, ficaram para trás — apenas 89 pontes foram concluídas até junho de 2026.
Helder renunciou em abril para concorrer ao Senado, e Hana assumiu o governo estadual como pré-candidata à reeleição.
O que foi cumprido e o que ficou pela metade
Entre as promessas cumpridas integralmente estão a ampliação da rede de Escolas Técnicas, que saltou de 32 para 37 unidades, a conclusão da 4ª etapa da macrodrenagem da Bacia do Tucunduba, os serviços oncológicos em Marabá e Castanhal e a entrega do Hospital da Mulher e da UPA de Ananindeua. O Plano Estadual de Bioeconomia e o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, entregues em 2025, também constam na lista de compromissos honrados.
A maioria das promessas, porém, ficou pela metade. Das Estações Cidadania previstas, o governo diz operar 13 unidades no total, incluindo as antigas, mas não chegou a todas as regiões anunciadas em campanha. Das 90 escolas novas ou reconstruídas prometidas, apenas 64 foram concluídas, e 24 Usinas da Paz foram entregues, com outras cinco ainda em obras em cidades como Ananindeua, Viseu e Parauapebas.
Obras de infraestrutura atrasadas
No setor de infraestrutura, o descompasso é ainda maior: das 500 pontes prometidas, apenas 89 foram entregues no mandato, e o viaduto de Marabá sequer teve as obras iniciadas, embora cinco tenham sido concluídos na região metropolitana de Belém. As obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Belém, Marabá e Santarém também não foram finalizadas, segundo a gestão estadual. Dos 20 terminais de integração prometidos, 13 foram entregues, e a integração entre os sistemas BRT Metropolitano e municipal — que usam bilhetagens diferentes, o “Pra Já” e o “Passe Fácil” — não saiu do papel.
Hospitais represados e segurança pública incompleta
Dos quatro hospitais materno-infantis prometidos, apenas a primeira etapa da unidade de Marabá foi entregue, em abril de 2026. O Hospital Pediátrico de Ananindeua não foi concluído depois que a empresa responsável pela obra rescindiu o contrato, e o Hospital do Leste, em Paragominas, tem apenas 35% da construção pronta, com entrega prevista para 2027. Também não saiu do papel o hospital de referência em cardiologia e hemodinâmica prometido na campanha.
Na segurança pública, o governo afirma ter convocado 4.281 policiais militares, 2.015 bombeiros e 318 policiais civis desde 2023 — abaixo dos 6 mil novos profissionais prometidos —, além de ter entregue mais de 40 quartéis, sem detalhar as datas de inauguração. Já as promessas de dez novas delegacias e de espaços de acolhimento para o público LGBTQI+, idosos e crianças não foram cumpridas; a gestão diz negociar a abertura de uma casa de acolhimento à população LGBTQIA+.
O desempenho do Pará se soma a outros balanços estaduais do projeto Promessas dos Políticos. No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite cumpriu 25 das 39 promessas feitas em 2022, o melhor resultado já registrado pelo levantamento. Já no Ceará, Elmano de Freitas cumpriu apenas 5 das 17 promessas assumidas, desempenho próximo ao patamar agora visto no Pará.
