Os pré-candidatos ao governo de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), colocam planos de segurança pública no centro da disputa eleitoral que se acirra antes das eleições de 2026.
Pesquisa Quaest de abril mostra que a violência é o principal problema do estado na avaliação da população, pressionando os dois lados a apresentar propostas antes do prazo de registro dos planos de governo, em 15 de agosto.
Caminhos opostos para conquistar o eleitor
Tarcísio tem priorizado a divulgação de ações já implementadas nas redes sociais e em agendas oficiais, como o fim da Cracolândia, o programa Muralha Paulista, o aplicativo SP Mulher Segura e a recuperação de celulares roubados. Desde fevereiro, participou de ao menos dez eventos ligados à área, incluindo troca de comando da Polícia Militar e inauguração da Cidade da Polícia Civil de São Bernardo do Campo.
O governador também levou a pauta para a chapa: um dos nomes ao Senado é o ex-secretário da Segurança Pública Guilherme Derrite (PP). Levantamento do projeto Promessas dos Políticos mostra que a gestão já incorporou cerca de 16 mil novos policiais desde 2023, embora a meta de 15 mil delegados civis ainda não tenha sido cumprida.
Haddad, por sua vez, aposta em propostas inéditas para se diferenciar do adversário. O plano, coordenado pelo deputado estadual Emídio de Souza (PT), foi construído com a escuta de pesquisadores, especialistas e militares e será apresentado em três frentes.
Os três núcleos do plano petista
O primeiro eixo mira o combate ao crime organizado, com a asfixia financeira de facções e destaque para a Operação Carbono Oculto, sob um gabinete integrado de forças policiais liderado por Haddad. O segundo eixo prevê um programa de proteção a mulheres, crianças e idosos. O terceiro aposta em inteligência, tecnologia e patrulhamento para recuperar o espaço público.
Entre os detalhes que devem ganhar destaque no projeto de Haddad estão a intensificação do uso de inteligência artificial em investigações e na distribuição do efetivo policial, além da defesa da volta da gravação ininterrupta das câmeras corporais usadas por policiais.
O ex-ministro tem intensificado as críticas ao adversário nas redes e em falas públicas. Recentemente lembrou que Tarcísio foi contrário à PEC da Segurança Pública e, nesta quinta-feira (23), questionou a remuneração paga aos policiais paulistas.
A disputa pela pauta já resultou em embates na Justiça Eleitoral. O TRE-SP multou o deputado Emídio de Souza por divulgar um vídeo com inteligência artificial que associava Tarcísio a cenas de violência extrema, episódio que evidencia o tom acirrado da corrida rumo ao Palácio dos Bandeirantes.
