Três ex-ministros do governo Lula usaram a convenção estadual do PDT, nesta sexta-feira (24), em São Paulo, para atacar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por seu apoio a Donald Trump em meio ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet, todos pré-candidatos na chapa de Fernando Haddad (PT), afirmaram que a medida atinge diretamente setores paulistas como café, etanol, calçados e biocombustíveis.
Críticas diretas ao “boné do MAGA”
Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva disse que o tarifaço prejudica “nossa produção de etanol, de biocombustível, de calçado, de toda a nossa indústria”, enquanto Tarcísio “disse que isso não é um problema dele”. Para ela, é um problema de quem prefere “botar o chapéu do Trump em vez de botar o chapéu da agricultura, da indústria e dos interesses do Brasil”.
Simone Tebet seguiu na mesma linha e cobrou o governador por seu apoio à gestão americana: “Quando é que o governador Tarcísio vai tirar o boné lá do MAGA, e pedir desculpas para a população paulista por defender os Estados Unidos acima dos interesses do Brasil?”
Márcio França destacou o impacto direto sobre a economia paulista: “Trump retaliou exatamente nas coisas que São Paulo produz. No café, no móvel. Eles apoiaram. Quem vai nos indenizar?”
A postura de Tarcísio mudou ao longo da crise comercial. No primeiro tarifaço, o governador responsabilizou Lula publicamente, afirmando que “a responsabilidade é de quem governa” e que o presidente “colocou sua ideologia acima da economia”. O discurso ecoou o tom adotado por entidades como a Fiesp, que também atribuiu a taxação ao governo federal.
Após reação negativa às falas, o governador moderou o discurso. Diante do novo pacote, passou a defender a negociação e disse ser preciso “deixar de procurar narrativas para entender a coisa sob o prisma comercial”, citando o caso da Embraer como exemplo de resultado positivo nas tratativas.
As críticas se somam a outros episódios da disputa paulista: Haddad já havia acusado a gestão Tarcísio de fazer São Paulo “andar para trás”, enquanto o tarifaço já havia escancarado a divisão entre pré-candidatos à Presidência. Na mesma convenção, França ainda criticou as privatizações no estado, dizendo que ativos como Congonhas e a Sabesp foram vendidos por valores inferiores ao que geram em poucos anos de lucro.