Economia

Galípolo diz que juro do cartão de crédito é uma ‘jabuticaba’ brasileira

Selic está em 14,25% ao ano, mas juro do rotativo passa de 400% ao ano, afirmou o presidente do BC
Galípolo, do Banco Central, fala sobre o juro do cartão de crédito no Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, comparou nesta sexta-feira (24) o cartão de crédito brasileiro a uma jabuticaba — fruta que só existe no Brasil — durante evento da XP Expert, em São Paulo.

Ele afirmou que o juro do cartão de crédito rotativo, hoje em 15% ao mês, reage pouco às mudanças na Selic, taxa básica da economia definida pelo Banco Central para conter a inflação.

Juro do rotativo reage pouco à Selic

De acordo com Galípolo, o juro do cartão de crédito rotativo está em 15% ao mês — o que equivale a mais de 400% ao ano —, enquanto a Selic, taxa básica da economia, está em 14,25% ao ano. Ele classificou essa diferença como pouco sensível à política de juros conduzida pelo Banco Central.

A taxa básica de 14,25% ao ano citada por Galípolo foi fixada pelo Copom em decisão unânime, tomada dias após o presidente do BC admitir falhas de comunicação sobre os rumos da política monetária.

Segundo o presidente do BC, esse modelo movimenta uma cadeia de crédito com 100 milhões de pessoas. Desse total, 60 milhões usam o cartão à vista, pagam a fatura no mês seguinte ou parcelam as compras sem juros. Já as outras 40 milhões não quitam o valor integral e pagam os 15% ao mês, o que, na prática, sustenta o crédito sem juros dos demais usuários.

Histórico de hiperinflação explica o modelo brasileiro

Galípolo avaliou que a baixa sensibilidade do juro do cartão à Selic pode estar ligada à evolução da economia brasileira, marcada por décadas de hiperinflação, período em que o crédito ficou caro e o parcelamento se consolidou como hábito de consumo do país.

Para o presidente do BC, vale a pena observar o que é feito em outras economias e avaliar uma migração gradual do Brasil para arranjos de pagamento semelhantes, com prazos de quitação mais curtos — mudança que, segundo ele, reduziria o endividamento de quem usa o rotativo.

Ele ponderou, porém, que qualquer mudança precisa ser feita sem prejudicar os usuários. “Na linha da estabilidade, a gente se move mais como transatlântico do que como jet ski“, declarou Galípolo, durante participação no evento XP Expert, em São Paulo.

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