Os preços do petróleo recuaram nesta terça-feira (21) após surgirem sinais de uma possível mediação entre Estados Unidos e Irã para conter a escalada da guerra iniciada em fevereiro.
O Brent caía 0,9%, a US$ 88,44 o barril, enquanto o WTI recuava a US$ 82,50, refletindo a expectativa em torno de uma proposta de cessar-fogo de dez dias apresentada a Teerã.
Proposta tenta salvar memorando assinado em junho
Segundo a Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que Teerã recebeu a proposta de trégua de dez dias em uma tentativa de preservar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho, pensado como base para um acordo mais amplo que encerrasse a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O texto, porém, já havia sido dado como encerrado por Trump em 8 de julho, após a quebra do cessar-fogo anterior.
Analistas do ING ouvidos pela Reuters descreveram o clima como de cautela com esperança: reconhecem o potencial de desescalada, mas apontam diferenças significativas entre Washington e Teerã que ainda travam as negociações. O banco também lembrou que Trump prometeu retaliar após a morte de militares americanos em ataques recentes.
A nova rodada de mediação surge após sucessivos ciclos de tensão: o histórico do conflito já registrou uma ofensiva dos EUA contra 90 alvos iranianos em menos de um mês, evidenciando a fragilidade de qualquer trégua firmada até aqui.
Riscos ao comércio marítimo se intensificam
Apesar do sinal diplomático, os confrontos continuam: a Guarda Revolucionária iraniana atacou novamente ativos militares dos EUA na região, enquanto o Centcom anunciou uma nova rodada de bombardeios contra alvos no Irã.
O mercado também monitora o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global. Nesta terça, uma embarcação relatou ter sido atingida por um projétil de origem desconhecida — segundo a UKMTO, a tripulação abandonou o navio e se refugiou em um bote salva-vidas. O fluxo de embarcações pela região voltou a cair diante da cautela, menos de duas semanas depois de o próprio Irã ter fechado o estreito em resposta a ataques dos EUA.
Soma-se a isso a ameaça dos rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, que anunciaram nesta segunda (20) a intenção de impor um bloqueio naval à Arábia Saudita — o que pode abrir uma nova frente de tensão e ampliar os riscos ao fornecimento mundial de energia.
