O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (20), cotado a R$ 5,1933 por volta das 9h10 — avanço de 0,33% diante da escalada entre Estados Unidos e Irã e da disparada dos juros dos títulos públicos americanos.
O movimento ocorre mesmo após o Tesouro dos EUA anunciar, na véspera, a ampliação da recompra de Treasuries de longo prazo para pelo menos US$ 4 bilhões, tentativa de conter o estresse no mercado de renda fixa que levou os juros dos papéis de 30 anos ao maior patamar desde 2007.
Escalada entre EUA e Irã eleva a aversão a risco
Nesta quinta-feira, o presidente americano Donald Trump anunciou o início de uma guerra econômica contra o Irã, prometendo consequências para qualquer país que ofereça apoio ao regime iraniano — seja por meio de instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais. Em publicação na Truth Social, ele classificou a medida como a operação econômica mais devastadora já adotada contra qualquer país.
A retórica reforça o clima de tensão que já vinha pressionando os mercados desde o fracasso das negociações sobre o programa nuclear iraniano, no início do ano, episódio que desencadeou o conflito armado atual. Há dez dias, o Irã apresentou uma extensa lista de exigências aos Estados Unidos como condição para liberar o tráfego pelo Estreito de Ormuz — impasse que segue sem solução e mantém os preços do petróleo pressionados.
Tesouro americano tenta conter alta dos juros
Paralelamente ao front geopolítico, o Tesouro dos Estados Unidos susteve o mercado de renda fixa ao dobrar o volume de recompra de Treasuries com vencimento entre 10 e 30 anos, para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,7 bilhões) por operação. A medida ficará em vigor entre 9 de setembro e 4 de novembro e foi anunciada um dia após uma onda de vendas que levou o rendimento dos papéis de 30 anos ao maior nível desde 2007.
Apesar do efeito imediato de conter as taxas na véspera, os juros dos Treasuries voltaram a subir nesta quinta-feira, o que devolveu a cautela ao mercado e ajudou a puxar o dólar para cima logo na abertura.
Estreito de Ormuz mantém pressão sobre o petróleo
O bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra, segue interrompido e continua a pressionar os preços da commodity. Em julho, Trump já havia dado um passo decisivo ao anunciar um bloqueio naval ao estreito e uma taxa de 20% sobre toda carga que cruzasse a rota — escalada que explica por que o canal permanece fechado até hoje, como mostrou o Tropiquim à época.
O impacto vai além dos combustíveis: a alta persistente da energia tende a se espalhar por outros setores, pressionando a inflação global e reforçando a cautela de investidores em relação a ativos de risco.
Na Ásia, o cenário foi misto. Os mercados chineses fecharam em alta, impulsionados por papéis de saúde e tecnologia — o CSI 300 avançou 0,19% e o índice de Xangai subiu 0,2%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,8%, e o Nikkei, do Japão, ganhou 1,36%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 5,80%.