Economia

Petróleo tem queda de mais de 6% após trégua entre EUA e Irã

Interceptação de navios no Estreito de Ormuz mantém mercado em alerta, mesmo com recuo das tensões
Barris de petróleo com mapa do Estreito de Ormuz ao fundo ilustram queda no preço do petróleo após trégua Irã-EUA

O preço do petróleo caiu mais de 6% nesta segunda-feira (27), depois que Estados Unidos e Irã suspenderam temporariamente os ataques mútuos no fim de semana.

A trégua reduziu o temor de uma crise no fornecimento global de petróleo e enfraqueceu o dólar frente a outras moedas, aliviando parte da tensão que dominava os mercados na semana anterior.

Diplomacia sob desconfiança

No domingo (26), o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou que o presidente Donald Trump está dando “algum espaço ao diálogo” com o Irã. Em resposta, o governo iraniano informou que também suspendeu seus ataques de retaliação, condicionando a pausa à manutenção da trégua pelo lado americano.

Nesta segunda-feira (27), porém, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que existam negociações em andamento entre os dois países e refutou que Teerã tenha solicitado conversas com Washington.

A pausa deste fim de semana é mais uma etapa de um ciclo recorrente entre os dois países. Seis dias antes, o Irã já havia recebido uma proposta de cessar-fogo de dez dias para tentar salvar o memorando assinado em junho, que seguia sem resultado concreto.

Estreito de Ormuz segue sob vigilância

Apesar do recuo das tensões, a Guarda Revolucionária do Irã manteve a fiscalização do Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo. Segundo a imprensa estatal iraniana, seis navios foram impedidos de atravessar o estreito nas últimas 24 horas após tentarem usar uma rota considerada irregular, depois de outros quatro terem sido interceptados no dia anterior.

O Estreito de Ormuz já havia sido fechado pelo Irã há duas semanas em resposta a ataques dos EUA, o que ajuda a explicar por que o mercado segue atento às interceptações de navios mesmo com a trégua atual.

O mercado também monitora os ataques de rebeldes houthis, aliados do Irã, contra instalações ligadas ao petróleo na região do Mar Vermelho — outro fator que pode reacender a volatilidade nos preços da commodity caso a diplomacia fracasse.