Política

Tarifaço de Trump agrava risco fiscal do Brasil antes da eleição de 2026

Analista Ruchir Sharma diz que mercado reagiria bem a Flávio Bolsonaro e mal a uma reeleição de Lula
Trump ao lado de Lula e Flávio Bolsonaro simboliza o tarifaço de Trump no Brasil antes da eleição de 2026

O Brasil chega à eleição presidencial de 2026 sob pressão dupla: a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e o déficit fiscal crescente, que reduz a margem de manobra do próximo governo.

A avaliação é do analista Ruchir Sharma, chairman da Rockefeller International e colunista do Financial Times, em entrevista à BBC News Brasil. Para ele, o efeito direto do tarifaço é limitado, mas os riscos políticos e sobre o investimento estrangeiro são mais complexos de calcular.

Se a tarifa entrar em vigor em 22 de julho, o Brasil se tornará o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no mundo, atrás apenas da China.

Tarifa de 25% eleva temperatura da corrida presidencial

O anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que soma US$ 14,9 bilhões em exportações, já provocou reação imediata no tabuleiro político. O Planalto passou a tratar a medida como munição eleitoral, acusando o governo Trump de usar o tarifaço para beneficiar o pré-candidato Flávio Bolsonaro na disputa de outubro.

O episódio também expôs divergências entre os pré-candidatos: enquanto Lula responsabilizou a família Bolsonaro pelo desgaste com Washington, Flávio evitou criticar Trump e mirou no presidente brasileiro, aprofundando o racha entre os campos.

Mercado aposta em governos de direita

Sharma cita levantamento próprio segundo o qual, nos primeiros dois anos de mandato, governos de esquerda latino-americanos entregam retorno médio de 16% em dólares aos investidores, contra 37% sob governos de direita. Por isso, avalia que a reação inicial dos mercados a uma vitória de Flávio tende a ser positiva, enquanto uma reeleição de Lula geraria resposta negativa — ainda que o desempenho concreto dependa das políticas adotadas depois da posse.

Dependência da China e bolha de IA ampliam os riscos

Para Sharma, o Brasil corre risco ao aprofundar sua dependência comercial da China, cuja demanda doméstica deve seguir fraca por causa do envelhecimento populacional e do alto endividamento do país asiático. A pressão tarifária americana já vinha empurrando o Brasil a diversificar parceiros comerciais, mas o movimento aprofundou justamente essa dependência que o analista classifica como uma aposta arriscada, já que o país vive de exportar excedente que sua própria economia não consegue absorver.

Bolha global de inteligência artificial

Sharma também alerta para os sinais de uma bolha na infraestrutura de IA, cujo investimento global soma US$ 2,5 trilhões neste ano — mais de 2% do PIB mundial. Segundo ele, o setor reúne os quatro sinais clássicos de bolha: sobrevalorização, concentração excessiva, sobreendividamento e sobreinvestimento, e só deve estourar quando as taxas de juros de longo prazo subirem o suficiente para servir de catalisador.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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