Política

Rubio culpa Lula por tarifaço e diz que ego travou acordo com os EUA

USTR nega motivação política e detalha exigências sobre Pix, etanol e corrupção no Brasil
Lula entre bandeiras do Brasil e dos EUA ilustra o tarifaço dos EUA no Brasil

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou nesta quarta-feira (15) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não negociar de boa-fé as tarifas de 25% aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Em publicação nas redes sociais, Rubio disse que Lula colocou “o próprio ego à frente de um acordo” que beneficiaria o povo brasileiro e que a sobretaxa é “o preço por isso”.

USTR contradiz Rubio e nega motivação política

A fala de Rubio contrasta com a versão apresentada horas antes pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço. Em entrevista coletiva, uma autoridade do USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo brasileiro e afirmou que as conversas com Brasília permaneceram abertas e cordiais durante todo o processo.

Questionado sobre o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial com o Brasil, o representante do USTR disse que esse dado não foi central para a investigação. Segundo ele, o argumento do superávit já havia sido usado por Geraldo Alckmin para questionar a lógica das tarifas, mas o foco da apuração recaiu sobre temas como propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e regras para serviços digitais.

Etanol e Pix no centro da disputa

Sobre o etanol, os Estados Unidos defendem tratamento equivalente ao concedido pelo Brasil a outros parceiros comerciais. Já em relação ao Pix, um dos pontos mais sensíveis, o governo americano negou pedir o fim do sistema de pagamentos e disse que sua posição é apenas evitar que empresas americanas do setor financeiro sejam prejudicadas.

Repercussão e o que vem a seguir

O USTR confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação da tarifa adicional de 25%, com entrada em vigor prevista para 22 de julho. A medida abrange grande parte da pauta exportadora, mas isenta produtos como petróleo, café, carne bovina, celulose e aeronaves.

A autoridade americana afirmou que Washington segue disposta a negociar, mas alertou que eventuais retaliações comerciais do Brasil poderiam provocar novas respostas dos Estados Unidos — embora tenha dito não esperar esse tipo de reação do governo brasileiro.

Às vésperas do anúncio, o Brasil ainda tentava uma negociação de última hora, com o Pix e os minerais críticos apontados como pontos considerados inegociáveis pelos americanos. Horas depois da fala de Rubio, o próprio governo brasileiro classificou a tarifa como “marco lastimável” nas relações bilaterais e anunciou que vai acionar a Lei de Reciprocidade e recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

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