Economia

Brasil tenta negociação de última hora antes do tarifaço dos EUA

Governo classifica sobretaxas de até 25% como injustas e alerta para impacto de US$ 15 bilhões nas exportações
Lula diante das bandeiras do Brasil e dos EUA simboliza o tarifaço dos EUA ao Brasil

O governo brasileiro se reuniu nesta terça-feira (14) com representantes dos Estados Unidos na véspera do prazo dado pela Casa Branca para novas tarifas a produtos brasileiros, na quinta rodada de conversas desde maio, e reiterou que considera o tarifaço “injusto”.

O prazo para o anúncio da medida termina nesta quarta-feira (15). Mesmo com adiamento considerado improvável, auxiliares do presidente Lula tentaram, nesta manhã, uma nova rodada de negociação com interlocutores de Trump.

Diálogo travado desde maio

Segundo negociadores brasileiros, os avanços obtidos no início das tratativas, iniciadas em 7 de maio, desapareceram a partir de então: representantes da Casa Branca passaram a se mostrar inflexíveis e apontaram como “inegociáveis” temas como mudanças no Pix e na legislação brasileira sobre minerais críticos.

Dados apresentados pelo Brasil sobre desmatamento também teriam sido descartados pelos americanos, sem contraproposta. Há dez dias, em reunião técnica, o governo brasileiro entregou uma proposta sobre os seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não obteve resposta.

Para ministros brasileiros, a ordem do presidente Lula foi manter o Brasil na mesa de negociação sem deixar a ideologia interferir nas conversas. Ainda assim, a avaliação do governo é que a recomendação de tarifas pelo USTR teve motivação política.

Prazo do USTR e as duas sobretaxas

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que o encontro desta terça foi o quinto de alto nível com o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer. O texto reitera que a sobretaxa de 25% prevista pela Seção 301 específica para o Brasil, assim como a de 12,5% aplicada a outras 59 economias por suspeita de trabalho forçado, não se justifica pelas razões apresentadas pelos americanos.

Entidades como a CNI, a AmCham Brasil e a US Chamber of Commerce enviaram carta conjunta aos ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa e a autoridades como Greer pedindo que as negociações continuem, com propostas para ampliar a cooperação em data centers, setor automotivo e minerais críticos.

O impacto econômico preocupa o setor produtivo: levantamento da CNI aponta que 4,2 mil produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos podem ser atingidos pelo tarifaço, somando US$ 15 bilhões em vendas anuais, entre eles ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

O vice-presidente Geraldo Alckmin tem reforçado que a tarifa média aplicada aos produtos americanos que chegam ao Brasil é de apenas 3%, e que dos dez itens dos EUA mais vendidos no país, oito entram sem qualquer taxação — argumento usado pelo governo para questionar a proporcionalidade da medida americana.

Caso confirmado nesta quarta, o tarifaço pode levar o Brasil da 13ª para a 2ª posição no ranking de países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China, segundo o Global Trade Alert. Até a véspera da decisão, negociadores brasileiros ainda avaliavam a chance de um anexo com mais exceções, mesmo com o Departamento de Estado tratando a confirmação das tarifas como cenário mais provável.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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