O governo Lula classificou nesta quinta-feira (16) a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, confirmada pelos Estados Unidos, como uma decisão “ideológica” e “política” para favorecer o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Assessores presidenciais rebateram a versão do governo Trump de que o Brasil não teria buscado negociar e afirmaram que a Casa Branca agiu de má-fé ao anunciar o tarifaço na quarta-feira (15), último dia do prazo de negociação.
Itamaraty rebate acusação de falta de negociação
Integrantes do Planalto avaliam que a decisão americana já estava definida desde o ano passado, quando Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciando a medida. Segundo a diplomacia brasileira, a Suprema Corte dos Estados Unidos limitou a imposição de tarifas por anúncio direto, o que levou a Casa Branca a recorrer à Seção 301, mecanismo legal usado para justificar a taxação com argumentos considerados injustos e sem base técnica pelo Brasil.
O cenário parecia favorável após os encontros entre Lula e Trump na Malásia e em Washington, mas mudou nas últimas semanas, depois que Flávio Bolsonaro se reuniu com o presidente americano. Mesmo com novas rodadas de negociação em nível técnico e ministerial, os EUA mantiveram como “inegociáveis” pontos como mudanças no Pix e moratória para plataformas digitais, além de ignorar os argumentos brasileiros sobre combate ao desmatamento — como mostrou o esforço de negociação de última hora do Brasil na véspera do anúncio.
Segundo o Itamaraty, foram mais de 30 contatos entre os dois países desde o início da disputa, sendo 11 apenas com o secretário de Comércio Jamieson Greer e o secretário de Estado Marco Rubio — todos por iniciativa brasileira.
Tarifaço vira munição na disputa eleitoral de 2026
Nos bastidores, o Planalto já avalia usar o episódio como ativo político na campanha de 2026, associando a pressão tarifária americana à atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump, conforme revelou reportagem sobre a resposta institucional que o governo prepara ao tarifaço.
A troca de acusações entre Lula e o senador do PL não é nova. Ainda no início do mês, Flávio Bolsonaro chegou a dizer que o presidente era o único interessado em um novo tarifaço, atribuindo a Lula a responsabilidade por eventuais sanções comerciais dos Estados Unidos.
Para o governo, a ofensiva revela um padrão: usar a política tarifária americana como instrumento de pressão interna, em meio à disputa que deve colocar Lula e o campo bolsonarista frente a frente nas urnas no próximo ano.
