O portal ICL divulgou nesta quarta-feira (15) uma foto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia privada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A assessoria do senador afirmou que ele nunca viu o miliciano e levantou a hipótese de a imagem ter sido gerada por inteligência artificial — hipótese descartada por testes de checagem feitos pelo ICL e pelo g1.
Quem era o “Sicário”
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo “A Turma”, milícia privada que atuava a serviço de Daniel Vorcaro no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de dados e em ações de intimidação. Ele já tinha passagens por estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça, e havia sido apontado como o operador escalado por Vorcaro para armar um flagrante de drogas contra o DJ Ronald Fred Seikaly, ex-marido de Martha Graeff.
O miliciano foi preso em março de 2026, na 3ª Operação Compliance Zero, e horas depois tentou tirar a própria vida na cela onde aguardava audiência de custódia em Belo Horizonte. Levado a um hospital, teve a morte cerebral confirmada dias depois.
Segundo o ICL, a foto com Flávio foi obtida com uma fonte que pediu sigilo e teria sido registrada em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. Em nota, a assessoria do senador negou conhecer “Sicário” e disse que ele “recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.
A relação de Flávio com Vorcaro
O vínculo entre o senador e o banqueiro veio à tona em maio de 2026, quando mensagens e áudios revelados pelo Intercept Brasil e confirmados pela TV Globo mostraram negociações para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o Intercept, Vorcaro aportou cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 em um fundo nos Estados Unidos ligado à produção.
Flávio confirmou ter pedido recursos ao banqueiro, mas negou irregularidades e disse não manter “relações espúrias” com Vorcaro, afirmando que o contato se limitava ao projeto cinematográfico. O episódio já rendeu ao senador até três inquéritos abertos pela Polícia Federal sobre o financiamento do Dark Horse e críticas públicas, como as do governador Romeu Zema, que classificou como “imperdoável” a proximidade de quem ficou perto de Vorcaro.
