Negócios

Natura prevê queda de até 10% na receita do 2º trimestre com operações pressionadas no Brasil

Consumo desaquecido e gargalos internos elevaram impacto além do esperado pela fabricante de cosméticos
Logo Natura e bandeira Brasil em editorial ilustrando Natura queda receita segundo trimestre 2026

A Natura projetou, nesta quarta-feira (8), uma queda de 9% a 10% na receita líquida do segundo trimestre de 2026, com estimativa entre R$5,1 bilhões e R$5,2 bilhões — recuo significativo ante o mesmo período de 2025.

A fabricante de cosméticos atribuiu o resultado negativo a dois fatores combinados: o ambiente de consumo desaquecido no Brasil e uma série de desafios operacionais internos que, segundo a própria companhia, superaram as projeções iniciais.

Crise de abastecimento no centro dos problemas

Entre os gargalos operacionais, a Natura destacou severa escassez de produtos como um dos principais fatores de pressão sobre as vendas. A falta de abastecimento decorreu da estabilização do novo sistema de Planejamento Integrado, da atualização do ERP SAP e da transferência de volumes da fábrica de Interlagos, na zona sul de São Paulo, encerrada recentemente.

A combinação entre desabastecimento e cenário macroeconômico adverso resultou em queda significativa de volume no canal de venda por relações — modelo histórico da Natura que opera por meio de consultoras independentes.

No canal digital, a empresa registrou desaceleração de curto prazo após a implementação de novas políticas de preços e regras comerciais entre canais. Nas lojas franqueadas, a migração de 100% dos contratos para um novo modelo provocou redução momentânea de estoques e desaceleração nas compras das franquias (sell-in).

A companhia também citou um descasamento temporário de tributos — com efeito concentrado no segundo trimestre — decorrente de mudanças no ICMSST, imposto sobre consumo vigente no Estado de São Paulo.

Margem Ebitda deve subir apesar da queda de receita

Em meio ao recuo de receita, a Natura projeta expansão trimestral na margem Ebitda reportada. A companhia conta com menores despesas sequenciais com rescisões e com a captura de eficiências do novo modelo operacional para compensar, ao menos parcialmente, o impacto negativo da desalavancagem.

Os dados divulgados nesta quarta são preliminares. O balanço completo do segundo trimestre de 2026 será apresentado em 10 de agosto, quando a empresa deve detalhar o impacto financeiro de cada fator e os avanços na estabilização dos sistemas.

A Natura sinalizou que os ajustes têm caráter transitório. A superação dos entraves operacionais — especialmente a estabilização do novo sistema de gestão — deve aliviar a pressão sobre as vendas nos próximos trimestres, segundo a companhia.

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