A mineradora Vale fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,375 bilhão, queda de 35% frente ao mesmo período de 2025, informou a empresa nesta quinta-feira (30). O valor ficou abaixo da expectativa média dos analistas, de US$ 1,8 bilhão, segundo dados da LSEG.
O resultado foi pressionado pela marcação a mercado de derivativos e pelo aumento de tributos sobre o lucro, mesmo com receita líquida de US$ 10,498 bilhões no período, alta de 19% na comparação anual.
Receita e Ebitda avançam com alta nos preços
O Ebitda ajustado somou US$ 3,676 bilhões entre abril e junho, alta de 9% sobre o mesmo período de 2025, impulsionado pelo avanço dos preços realizados e pelo maior volume de vendas. As vendas cresceram em todas as frentes: minério de ferro subiu 3%, cobre avançou 10% e níquel teve alta de 7% na comparação anual.
O preço realizado dos finos de minério de ferro ficou em US$ 95 por tonelada, alta de 12%. Já o cobre teve salto de 57%, para US$ 14.062 por tonelada. Na divisão de metais básicos, o Ebitda ajustado subiu 79%, para US$ 1,289 bilhão, com destaque para o cobre, cujo resultado avançou 91%, para US$ 1,026 bilhão. Na unidade de Soluções de Minério de Ferro, o Ebitda ajustado cresceu 3%, para US$ 3,056 bilhões.
Vale eleva projeção para cobre e níquel em 2026
A companhia revisou para cima o piso das estimativas de produção. Para o cobre, a faixa passou de 350 mil–380 mil toneladas para 360 mil–380 mil toneladas. No níquel, a projeção subiu de 175 mil–200 mil toneladas para 185 mil–200 mil toneladas. Segundo a Vale, a mudança reflete o forte desempenho operacional dos dois segmentos no primeiro semestre.
A empresa também reduziu as estimativas de custo total de produção: no cobre, o teto caiu para até US$ 500 por tonelada, ante a faixa anterior de US$ 1.000 a US$ 1.500; no níquel, a projeção passou para US$ 10.000–US$ 11.500 por tonelada, frente a US$ 12.000–US$ 13.500 estimados antes.
Dividendos, recompra de ações e caixa
Em comunicados separados, a Vale anunciou um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações e informou o pagamento de US$ 1,7 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas.
O lucro líquido proforma, que exclui itens não recorrentes, somou US$ 1,6 bilhão no trimestre, queda de 26% na comparação anual. A companhia atribuiu o resultado principalmente a uma variação negativa de US$ 798 milhões na marcação a mercado de derivativos, diante de uma base de comparação elevada, e a um aumento nos tributos sobre o lucro, com destaque para efeito cambial negativo de US$ 326 milhões sobre prejuízos fiscais em subsidiárias. Parte da perda foi compensada por um avanço de US$ 642 milhões no Ebitda proforma e pelo efeito da provisão da Samarco registrada no segundo trimestre de 2025.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,505 bilhão no trimestre, 49% acima do registrado um ano antes, impulsionado pelo maior Ebitda proforma e pelo menor pagamento de tributos. A dívida líquida expandida encerrou junho em US$ 16,677 bilhões, queda de US$ 1,1 bilhão em relação ao trimestre anterior.
