A Polícia Federal antecipou a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3), depois que os EUA anunciaram sanções contra brasileiros suspeitos de lavar dinheiro para o PCC. O alerta americano, divulgado na quarta-feira (1º), forçou a corporação a agir antes do planejado.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, admitiu que o desfecho poderia ter sido diferente sem o anúncio das sanções. O principal alvo, o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, está foragido.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como parente e intermediária financeira de Shimada, foi presa. Ela também constava na lista de sancionados pelos EUA.
O Tesouro dos EUA classificou Shimada como “elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais”. Com a sanção, os bens do empresário nos Estados Unidos foram bloqueados e ele ficou impedido de realizar transações com cidadãos e empresas americanas.
Na quarta-feira (1º), o Tesouro dos EUA havia anunciado oficialmente as sanções contra Shimada e Stella Stefanie após investigação de rede internacional com operações na Flórida — medida que, segundo Andrei Rodrigues, obrigou a antecipação da Operação Exchange dois dias depois.
O papel de Stella na rede
As autoridades americanas descrevem Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira como parente de Shimada e peça operacional do esquema. Ela teria atuado como secretária do empresário e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo suporte logístico essencial para as movimentações financeiras do grupo.
Com a prisão de Stella, a PF obteve resultado parcial. Shimada, no entanto, segue foragido e é considerado o principal alvo das investigações sobre lavagem de dinheiro do PCC com ramificações nos Estados Unidos.
A fuga de Shimada se insere em uma ofensiva americana que já havia dado sinais em junho: o ICE prendeu Felipe Dell Aquilla, ex-chefe do PCC e do Comando Vermelho, após perseguição de carro na Carolina do Norte — episódio que antecipou a disposição americana de agir diretamente contra lideranças das facções brasileiras em solo estrangeiro.
As sanções que precipitaram a Operação Exchange integram uma estratégia mais ampla do governo Trump de usar o combate ao narcoterrorismo como instrumento de pressão política sobre a América Latina, com o PCC como peça central dessa narrativa.
Cooperação Brasil-EUA na prática
Desde que os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem defendido maior integração entre forças brasileiras e americanas no combate ao crime organizado transnacional. O episódio desta sexta ilustra como essa cooperação já opera na prática: uma decisão do Tesouro dos EUA, tomada em Washington, ditou o tempo de uma operação policial deflagrada no Brasil — com ou sem acordos formais estabelecidos.
