Meio ambiente

SP reavalia obra de R$ 69 mi após ameaça a Mata Atlântica no Butantã

Projeto de Centro TEA na Praça Kaol Sugimoto prevê remoção de até 100 árvores nativas e já é alvo de ações judiciais
Mata Atlântica do Butantã confrontada pela expansão urbana: conflito ambiental do centro TEA em São Paulo

A Prefeitura de São Paulo informou na segunda-feira, 30 de junho, que está reavaliando a construção de um Centro TEA na Praça Kaol Sugimoto, no Butantã — área com fragmento nativo de Mata Atlântica na Zona Oeste da capital.

O contrato de R$ 69 milhões com a empreiteira Construmedici Engenharia foi assinado em junho, e estudos preliminares da SP Obras já previam a remoção de até 100 árvores nativas antes da execução da obra.

Uma petição contra a intervenção reúne mais de 2,2 mil assinaturas. Parlamentares do PSOL acionaram a Justiça pedindo a suspensão do projeto por ausência de estudo de impacto ambiental e de autorização legislativa para alterar a destinação da praça.

Praça com história e valor ambiental

Localizada na Avenida Eliseu de Almeida, a Praça Kaol Sugimoto integra a bacia hidrográfica do córrego Pirajuçara — afluente do Rio Pinheiros — e tem alto potencial de infiltração, funcionando como importante área de drenagem natural. O espaço abriga fauna silvestre como saguis e tucanos.

O terreno foi reservado como jardim no loteamento original do Jardim Rolinópolis, em 1952. Em 1999, lei municipal deu ao local o nome do escoteiro Kaol Sugimoto. Para os moradores, a praça não é área ociosa, mas espaço de convivência comunitária consolidado ao longo de décadas.

A área está cercada por tapumes, com placa indicando início de obras para 8 de junho. Moradores relatam que a empreiteira já descarregou materiais no terreno. A praça também deixou de ser classificada como tal no Geosampa, plataforma de dados georreferenciados da prefeitura.

Ações judiciais e questionamentos legais

A vereadora Silvia Ferraro (Bancada Feminista/PSOL) protocolou ação pedindo a anulação do contrato de R$ 69 milhões, argumentando que a vegetação do local tem características de Mata Atlântica, cuja supressão é protegida por legislação federal.

O vereador Celso Giannazi, o deputado estadual Carlos Giannazi e a deputada federal Luciene Cavalcante, todos do PSOL, ingressaram com ação separada questionando a ausência de estudo de impacto ambiental, a falta de audiências públicas e a mudança na destinação da praça sem autorização legislativa.

A Procuradoria-Geral do Município confirmou que foi notificada e que se manifestará oportunamente nos autos.

O que a prefeitura diz

A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que “qualquer informação que antecipe ou divulgue a ocorrência de derrubada de árvores na praça Kaol Sugimoto é mentirosa, irresponsável e não reflete a realidade”. A administração sustenta que as ações na área se limitam a um mapeamento preliminar das árvores existentes.

A SP Obras reforçou que os dados da planilha licitatória foram elaborados com base em estudos preliminares e não correspondem à definição final do projeto. A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente informou desconhecer qualquer Termo de Compromisso Ambiental (TCA) finalizado para a obra.

O Centro TEA Oeste foi anunciado em maio pelo prefeito Nunes como parte da meta de construir quatro unidades especializadas para pessoas autistas até 2028. O primeiro centro foi inaugurado em abril de 2025, na Zona Norte. A unidade prevista para o Butantã teria salas de aula, biblioteca, brinquedoteca, auditório, teatro, jardim sensorial, piscina e quadra esportiva, com capacidade para até 45 mil atendimentos mensais.

Organizadores da petição afirmam apoiar a expansão da rede de atendimento a pessoas autistas, mas defendem que isso não ocorra em detrimento da preservação ambiental da praça.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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