A OpenAI discutiu com o governo Trump a possibilidade de entregar uma participação de 5% ao poder público americano, segundo o Financial Times, que publicou a informação nesta quinta-feira (2).
Na proposta levada por Sam Altman, outras grandes empresas americanas de inteligência artificial também destinariam fatias semelhantes a um fundo estatal — nos moldes do Alaska Permanent Fund —, que redistribuiria rendimentos a cidadãos americanos.
Modelo similar ao fundo soberano do Alasca
Segundo o Financial Times, que citou duas fontes familiarizadas com as conversas, Altman e outros executivos da OpenAI propuseram que as principais companhias americanas de IA destinem 5% de seu capital a um veículo de investimento coletivo. A referência declarada é o Alaska Permanent Fund, fundo estatal criado com receitas do petróleo que paga dividendos anuais aos moradores do Alasca e financia parte do orçamento estadual.
As negociações envolveram interlocutores de alto nível. Altman conversou diretamente com o presidente Donald Trump, com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e com o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Nas últimas semanas, também dialogou com o senador democrata Bernie Sanders — movimento que sugere uma estratégia de construção de consenso bipartidário.
A proposta da OpenAI é uma resposta direta ao que o próprio Trump havia sinalizado em junho: o governo americano estava avaliando comprar participações em empresas de inteligência artificial — e agora é o setor que dá o primeiro passo formal. Entenda o que Trump havia sinalizado antes.
A OpenAI não chegou sozinha a esse terreno. Antes de propor a participação societária direta, a empresa havia sugerido a criação de um “fundo de riqueza pública” voltado a investir em companhias de IA e distribuir rendimentos à população. A Anthropic também apresentou sua visão: um “dividendo digital”, definido como pagamentos diretos a americanos, financiados por impostos sobre o setor de IA.
IPOs e adiamento do GPT-5.6 marcam semana de tensão regulatória
A negociação ocorre enquanto a OpenAI e a Anthropic já protocolaram pedidos confidenciais de abertura de capital nos EUA, o que torna a estrutura de qualquer participação governamental ainda mais complexa juridicamente. Saiba mais sobre o IPO da OpenAI.
O contexto regulatório pesa na negociação. Na semana passada, a OpenAI adiou o lançamento público completo do GPT-5.6 a pedido do governo americano — sinal de que as relações entre o setor e a administração Trump passam por uma fase de intensa coordenação. A oferta de participação societária se insere em uma sequência de aproximações regulatórias: semanas antes, Trump havia assinado decreto permitindo ao governo revisar modelos de IA antes do lançamento — acordo voluntário com Google, OpenAI e a própria Anthropic. Veja o que dizia o decreto.
A pressão regulatória não ficou limitada à OpenAI. O governo dos EUA ordenou que a Anthropic suspendesse o acesso de usuários estrangeiros a seus modelos de fronteira, Fable 5 e Mythos 5, citando riscos à segurança nacional.
A Reuters informou não ter conseguido verificar imediatamente as informações do Financial Times. Nem a OpenAI nem a Casa Branca responderam aos pedidos de comentário até o fechamento da reportagem.
