Política

Mortos no terremoto da Venezuela chegam a 2.295 com crise humanitária se aprofundando

Sistema de saúde opera no limite com 38 hospitais afetados; lista não oficial aponta 43 mil desaparecidos
Bandeira venezolana em crise humanitária representando mortos no terremoto da Venezuela e sofrimento

O número de mortos pelo terremoto duplo de 24 de junho na Venezuela chegou a 2.295 nesta quarta-feira (1º), segundo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Em 24 horas, o balanço cresceu 352 vítimas fatais.

Mais de 11 mil pessoas estão feridas, e 12.841 constam como afetadas pelo duplo tremor. Especialistas alertam que os dados refletem subnotificação significativa — corpos seguem sendo retirados dos escombros diariamente em La Guaira e arredores.

Sistema de saúde venezuelano opera no colapso

Trinta e oito hospitais foram danificados ou comprometidos pelos terremotos em todo o país. A OMS avaliou 21 dessas instalações: três não funcionam mais, seis sofreram danos estruturais graves e as demais estão à beira da paralisação diante do volume de feridos e do avanço de doenças infecciosas na zona de desastre.

Médicos especialistas estão entre os desaparecidos em La Guaira, incluindo profissionais responsáveis por cuidados maternos. O desafio é amplificado pela fuga de 8 milhões de venezuelanos nos últimos anos — entre eles, muitos médicos e enfermeiros que sustentavam o sistema público.

Resgates despencam; criança sobrevive seis dias

O ritmo de resgates despencou nos últimos três dias. Nos dois primeiros dias após os tremores, 5.380 pessoas foram salvas pelas autoridades. Na segunda-feira, esse número caiu para quatro. Na terça, o único resgate registrado até o pôr do sol foi o de uma criança presa há seis dias sob um prédio desabado.

Seis dias atrás, quando as buscas ainda começavam, o balanço oficial contabilizava 235 mortos — número que se multiplicou quase dez vezes conforme equipes retiraram corpos dos escombros em La Guaira.

Agências da ONU estimam que os terremotos acumularam 1,2 milhão de toneladas de entulho entre prédios destruídos e pertences pessoais. A NASA calcula que cerca de 59.000 edifícios foram danificados ou destruídos no país.

Desaparecidos, voluntários e risco de epidemias

O governo mantém silêncio sobre o número oficial de desaparecidos. Uma lista não governamental, alimentada por venezuelanos em busca de familiares via WhatsApp e bancos de dados digitais, registrava ao menos 43.220 pessoas sem paradeiro conhecido — dado que o governo se recusa a confirmar ou contestar.

Frustrados com a lentidão oficial, grupos de voluntários se mobilizaram antes mesmo da chegada de equipes internacionais especializadas para resgatar entes queridos dos escombros. Na véspera, enquanto a embaixada do Brasil alertava compatriotas para evitar La Guaira e um quinto voo humanitário partia com insumos médicos, o sistema de saúde venezuelano já operava no limite — situação que o novo balanço agrava ainda mais.

Mais de 15.800 pessoas estão oficialmente deslocadas, dormindo em carros, parques e abrigos superlotados. Sem acesso a saneamento básico, o risco de surtos de dengue, febre-amarela, malária e sarampo cresce — este último favorecido pelas baixas taxas de vacinação da população. O UNICEF informou que 680 mil crianças necessitam de assistência humanitária em todo o país.

Tendas da Cruz Vermelha, do Programa Alimentar Mundial e de outras organizações já funcionam em passeios, esplanadas e instalações esportivas de La Guaira, distribuindo alimentos, medicamentos e artigos de higiene. Mesmo assim, Jorge Rodríguez pediu ao público que compartilhe apenas informações oficiais — enquanto milhares de famílias permanecem sem notícias de seus parentes.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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