Economia

UE cobra taxa de 3 euros sobre pacotes de Shein, Temu e AliExpress

Isenção fiscal em vigor desde 2008 foi suspensa após volume de encomendas quadruplicar em três anos
A bandeira da União Europeia representando a taxa de importação Shein Temu Europa

A União Europeia passou a cobrar, nesta quarta-feira (1º), uma taxa de 3 euros — cerca de R$ 17,80 — sobre importações de e-commerce de baixo valor. A medida atinge diretamente Shein, Temu e AliExpress, que dominaram o mercado europeu com produtos baratos vindos sobretudo da China.

O volume de encomendas que entravam no bloco isentas de impostos saltou de 1,4 bilhão em 2022 para 5,8 bilhões em 2025. Bruxelas classifica o uso da antiga isenção como exploração “em escala industrial” em prejuízo das empresas locais.

O que muda com a nova taxa europeia

A isenção de impostos para importações de baixo valor existe há décadas na Europa. O teto de 150 euros foi estabelecido em 2008 — antes do boom do e-commerce asiático. Com o crescimento explosivo de plataformas como Shein e Temu, a regra deixou de ser uma facilidade burocrática e passou a funcionar como brecha competitiva.

Inspeções realizadas em toda a UE em 2025 expuseram o tamanho do problema: mais de 60% dos produtos importados — incluindo brinquedos, cosméticos e eletrônicos — descumpriam as normas europeias, com ingredientes proibidos, rótulos ausentes ou documentação de segurança inadequada. “É praticamente impossível de administrar, e as verificações normais são quase inviáveis”, declarou Bernd Lange, chefe do comitê de comércio do Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia insiste que a taxa incide sobre o importador, não sobre o consumidor final. Na prática, as plataformas podem repassar o custo via aumento de preços ou pressionar fornecedores a absorver parte do impacto para preservar a competitividade.

A cobrança ficará vigente até 1º de julho de 2028, quando a nova Autoridade Aduaneira da UE deverá entrar em operação. A partir de então, as tarifas alfandegárias normais serão aplicadas conforme o tipo de produto.

No Brasil, a cobrança equivalente rendeu R$ 2,13 bilhões ao governo federal apenas nos primeiros meses de 2026 — antes de ser zerada por medida provisória, em meio à corrida eleitoral.

Como as plataformas respondem à cobrança

As grandes plataformas já adotam estratégias distintas. A Shein tem ampliado armazéns em Wroclaw, na Polônia, para importar em grandes volumes e distribuir pelo continente sem acionar a taxa sobre cada pacote individual. A Amazon informou que 97% de suas remessas na UE em 2025 partiram de dentro do bloco — o que a coloca em posição mais confortável que as rivais asiáticas.

O AliExpress, do grupo Alibaba, anunciou que os produtos passarão a exibir o rótulo “Preço inclui tarifas e IVA” quando aplicável. Para outros itens, os clientes verão a discriminação dos encargos antes de concluir a compra. Shein e Temu não se pronunciaram até o momento.

Bruxelas está atenta a tentativas de burlar a regra por meio do redirecionamento de pacotes via países fora do bloco, como a Suíça. A partir de 1º de novembro de 2026, passará a ser obrigatório fornecer dados de referência dos produtos para melhorar a rastreabilidade. Uma taxa de processamento aduaneiro adicional também está planejada, com valor ainda a ser definido.

O movimento europeu acompanha uma tendência global: os EUA já eliminaram sua isenção equivalente, e o Reino Unido seguirá o mesmo caminho. No Brasil, o varejo pressiona o STF e o Congresso para reverter o fim da taxa das blusinhas, extinta pelo governo em maio em meio à corrida eleitoral.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Só Lula e Caiado fecharam chapa a menos de 100 dias das eleições

Mortos no terremoto da Venezuela chegam a 2.295 com crise humanitária se aprofundando

UE cobra taxa de 3 euros sobre pacotes de Shein, Temu e AliExpress

Ministro alemão admite obstáculos na ratificação do acordo Mercosul-UE