Política

Câmara aprova urgência do PL da misoginia com 293 votos

Proposta que criminaliza violência contra mulheres avança sem passar por comissões especiais
Votação histórica do PL da misoginia urgência Câmara protege mulheres no Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) a urgência do PL da misoginia, que criminaliza a incitação de violência contra mulheres. Foram 293 votos a favor e 158 contrários.

Com o regime de urgência, o projeto não passa pelas comissões especiais e pode ir direto ao plenário para votação final. Se aprovado, segue à sanção presidencial.

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que já coordenava grupo de trabalho sobre o tema, será a relatora do texto. O recesso legislativo começa em 18 de julho.

O que muda com o projeto

O PL da misoginia prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para injúria “por condição de mulher” — mesma punição atualmente aplicada à injúria racial. A pena pode aumentar em até metade se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou durante a sessão que a proposta do grupo de trabalho não é definitiva e que o relatório ainda precisa ser construído pela relatora.

Uma versão anterior do texto já havia sido aprovada pelo Senado Federal em março deste ano. Com a urgência, o projeto que passar pelo plenário vai direto à sanção presidencial, sem precisar retornar à Casa Alta.

Como votaram os partidos

A liderança do PL (Partido Liberal) orientou votar contra, mas dois deputados da sigla ignoraram a bancada: João Carlos Bacelar (BH) e Delegada Ione (MG).

O bloco formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos deixou cada parlamentar decidir livremente. No União Brasil, foram 32 favoráveis, 14 contrários e 1 abstenção.

Mesmo antes de qualquer tipificação legal, a misoginia já aparecia em mais de 2 mil decisões judiciais no Brasil — dado que reforça o argumento dos defensores do projeto aprovado em regime de urgência.

Próximos passos na Câmara

Com a urgência aprovada, Hugo Motta deverá incluir o PL na ordem do dia do plenário. A aprovação definitiva exige maioria simples, desde que estejam presentes ao menos 257 deputados — a maioria absoluta da Casa Baixa.

O calendário legislativo cria pressão de tempo: o recesso da Câmara começa em 18 de julho, com retorno das atividades previsto apenas para 1º de agosto. Isso deixa poucas semanas para que a votação final aconteça antes da pausa.

Tabata Amaral articulou ativamente para que o projeto entrasse em pauta ainda nesta semana. Ela terá papel central na construção do relatório final — documento que, segundo Hugo Motta, ainda está em aberto e não reflete posição definitiva da Casa.

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