O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027, principal programa de crédito rural do país, com R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento de médios e grandes produtores agropecuários.
O montante representa aumento de R$ 9 bilhões sobre o ciclo 2025/2026 e entra em vigor em 1º de julho, com validade até 30 de junho de 2027.
O lançamento foi conduzido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, no Palácio do Planalto, em Brasília. O presidente Lula embarcou cedo para Assunção, onde participa da Cúpula do Mercosul.
Nova restrição ambiental no crédito subsidiado
A principal mudança de regras do novo ciclo é a vedação ao uso de financiamentos com recursos subsidiados em empreendimentos que prevejam a supressão de vegetação nativa. A medida condiciona, pela primeira vez, o acesso ao crédito rural barato à preservação ambiental.
Os novos contratos também passarão a informar a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito — uma exigência de transparência que permite rastrear de onde vêm os recursos que bancam a produção no campo.
Inadimplência no campo tensiona o setor
O Plano Safra chega em um momento delicado para as finanças do agronegócio. A inadimplência rural encerrou 2025 em 8,2%, com grandes produtores entre os segmentos mais expostos ao aperto de margens — contexto que torna o novo ciclo de crédito ainda mais estratégico para a manutenção da produção agropecuária. Entenda o cenário de inadimplência que pressiona o campo.
Lula ausente no lançamento para grandes produtores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participou da cerimônia no Planalto. Na manhã desta terça, ele embarcou para Assunção, no Paraguai, para a Cúpula do Mercosul — compromisso que o impediu de estar presente no ato que movimenta o maior programa de crédito rural do país.
A previsão é que Lula retorne a Brasília ainda nesta terça-feira e participe, ao fim do dia, da cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, a versão do programa voltada aos pequenos produtores.
O lançamento ocorre enquanto o Congresso avança em paralelo com uma proposta de renegociação de dívidas rurais aprovada pelo Senado a contragosto do Ministério da Fazenda — mais uma frente de pressão sobre a política de crédito do campo. Veja como a renegociação de dívidas rurais aprovada pelo Senado afeta o setor.
