A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou 2025 em 8,2%, com alta de um ponto percentual na comparação anual, segundo levantamento da Serasa Experian divulgado nesta segunda-feira.
O índice avança de forma consistente desde o quarto trimestre de 2024, pressionado por custos elevados de fertilizantes e combustíveis — dois insumos que ficaram mais caros após a guerra no Irã.
As dívidas com instituições financeiras concentram a maior fatia do problema: 7,2% do total da inadimplência rural.
Quem deve mais — e quem surpreende
Na análise por porte, os produtores rurais sem registro formal — possíveis arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos — lideram o ranking de inadimplência, com 9,9%. O dado surpreende pelo tamanho: grandes proprietários aparecem logo atrás, com 9,8%, superando médios (8,3%) e pequenos (7,8%).
A configuração sugere que a crise de crédito no campo não poupa nem os maiores. Produtores com mais terra e mais dívida estão mais expostos ao aperto de margem.
Sul do país destoa do cenário nacional
Por estados, o Rio Grande do Sul registrou o melhor desempenho, com taxa de 5,3% — bem abaixo da média nacional. Paraná e Santa Catarina também ficaram acima da performance gaúcha, consolidando a Região Sul como a de menor inadimplência rural do país.
A Serasa considera no cálculo dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias e contraídas com empresas ligadas ao setor agropecuário.
O Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio nacional, sente diretamente os efeitos desse cenário. A inadimplência rural na carteira do banco disparou de 2,76% para 6,22% em um ano, forçando a revisão da projeção de lucro para 2026 e uma aceleração no ritmo de judicializações.
Os fertilizantes estão no centro da equação de custos do setor. Além das oscilações de mercado, o impacto da guerra no Oriente Médio agravou a pressão sobre insumos agrícolas, em um setor que já acumulava déficit de rentabilidade.
O movimento de alta da inadimplência — trimestre após trimestre desde o final de 2024 — aponta para uma deterioração estrutural, não episódica, das finanças rurais. O produtor que enfrenta margem apertada tende a priorizar o caixa operacional em detrimento do serviço da dívida.
Para 2026, o cenário exige atenção redobrada do sistema financeiro e das políticas de crédito rural. Com o Banco do Brasil já ajustando suas estimativas de resultado, a discussão sobre reestruturação de dívidas e novos mecanismos de suporte ao agro deve ganhar força no segundo semestre.
