O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira (29) o Desenrola Adimplentes, nova fase do programa de crédito voltada para quem está com as contas em dia, mas ainda paga juros elevados nos financiamentos.
A medida foi apresentada em evento no Palácio do Planalto e integra o Desenrola 2.0, programa federal lançado em maio para renegociar dívidas de brasileiros com renda de até cinco salários mínimos.
O foco desta etapa são trabalhadores informais — excluindo CLT, aposentados, pensionistas e servidores — e estudantes com financiamento pelo Fies que estejam adimplentes.
Como funciona o Desenrola Adimplentes
Além de refinanciar o débito existente, o programa permite que o beneficiário obtenha um crédito adicional de até 50% do saldo devedor original. A modalidade é restrita a trabalhadores informais — ficam de fora CLT, aposentados, pensionistas e servidores públicos.
Durante a apresentação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também mencionou a regulamentação do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, efetivada na última sexta-feira (26).
Crédito para adimplentes no Fies
O Ministério da Fazenda anunciou novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas que estejam adimplentes no Fies. Para acessar a modalidade, o graduado precisa estar em dia há pelo menos 36 meses, sem nenhuma renegociação no histórico.
O governo justifica a iniciativa pelo perfil do público: boa parte dos beneficiários concluiu cursos ligados a profissões autônomas e precisa de capital inicial para atuar na área — e parte já possui CNPJ.
As taxas de juros poderão chegar a 11% ao ano (0,87% ao mês). O limite é de R$ 180 mil para pessoas jurídicas, com prazo máximo de 96 meses, e de R$ 80 mil para pessoas físicas, com prazo de até 60 meses.
O Desenrola 2.0, que já renegociou R$ 20 bilhões em dívidas de 1,4 milhão de famílias desde maio, havia sinalizado desde seu lançamento que uma etapa voltada a quem está com as contas em dia estava sendo preparada — e é exatamente esse programa que o governo oficializa agora.
O Desenrola 2.0 foi lançado em maio direcionado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos — R$ 8.105 —, com débitos junto a instituições financeiras, além de agricultores, empresas de pequeno porte e devedores do Fies.
A nova fase Adimplentes mira um perfil distinto: não são pessoas em inadimplência, mas quem nunca atrasou uma parcela e ainda assim carrega taxas elevadas nos financiamentos. Enquanto 3,3 milhões de trabalhadores já mobilizaram R$ 3,88 bilhões do FGTS para quitar débitos em atraso no Desenrola 2.0, esta etapa amplia o alcance do programa para quem ficou de fora justamente por estar adimplente.
O objetivo declarado é fomentar a atividade empreendedora, especialmente entre profissionais autônomos formados pelo Fies que precisam de capital inicial para montar seus negócios — um nicho que o governo identifica como prioritário para a geração de emprego e renda no setor informal.
