O presidente da Argentina, Javier Milei, indicou Diego Santilli, atual ministro do Interior, como o novo chefe de gabinete do governo. A posse está prevista para terça-feira (30).
A troca foi precipitada pela renúncia de Manuel Adorni, que deixou o cargo no sábado (27) após admitir ter ocultado 500 mil dólares — cerca de R$ 2,6 milhões — de suas declarações de patrimônio à Justiça.
O escândalo que derrubou Adorni
Manuel Adorni, de 46 anos, entrou no governo como porta-voz presidencial em 2023 e ascendeu à chefia de Gabinete em novembro passado. Mas a trajetória dentro do círculo mais próximo de Milei virou-se contra ele quando aflorou um escândalo com contornos graves.
Além da ocultação de meio milhão de dólares, a Justiça Federal argentina investiga denúncias sobre compra e reforma de imóveis por centenas de milhares de dólares — um caso que ganha um novo capítulo a cada semana, segundo relatos da imprensa local.
Adorni afirmou que os recursos vinham de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018 e que se tratava de “economias não declaradas”. O problema é que essa versão contraria diretamente o que ele disse ao Congresso argentino em abril: na ocasião, garantiu aos parlamentares que “nunca houve ocultação alguma” de seu patrimônio.
Milei resistiu até o último momento
O presidente argentino sustentou Adorni mesmo sob forte pressão da oposição e após o escândalo se tornar público. Na manhã de sexta-feira (26), durante visita à Espanha, Milei declarou que só demitiria o chefe de gabinete se a Justiça o condenasse por corrupção.
Menos de 24 horas depois, Adorni renunciou. No domingo (28), Milei anunciou nas redes sociais que se reuniu com Santilli e com Karina Milei, sua irmã e secretária-geral da presidência, para organizar a transição.
Em comunicado, Santilli agradeceu ao presidente pela indicação e afirmou que vai ajudar a “tirar o país do buraco”. Ele é atualmente ministro do Interior e assume a nova função na terça-feira (30).
