O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad propõe reestruturar as Etecs e Fatecs com base no modelo dos institutos federais de educação, que passaram de três para 57 unidades no interior paulista. A declaração foi feita durante visita ao Instituto Federal de São Paulo.
O ex-ministro criticou a “infraestrutura precária” das escolas técnicas estaduais e apontou falhas na gestão do governador Tarcísio de Freitas na área educacional. Os dois devem ser os principais adversários na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, em outubro.
Institutos federais como espelho para as Etecs
Haddad defendeu que a expansão dos institutos federais representa uma “pequena revolução” no interior paulista: a rede passou de três para 57 unidades, atendendo mais de 70 mil alunos. O pré-candidato quer replicar esse padrão na rede técnica estadual.
“Eu quero fazer do padrão do Instituto Federal uma espécie de referência para a reforma que eu pretendo fazer das Etecs de São Paulo. Nós estamos com Etecs com uma infraestrutura precária e nós queremos dar às Etecs e Fatecs o mesmo padrão de excelência”, declarou a jornalistas durante a visita.
Sem cursos noturnos, jovens trabalhadores ficam de fora
Uma das críticas mais contundentes mira a ausência de cursos noturnos na rede estadual. Segundo Haddad, muitos jovens precisam trabalhar durante o dia e se veem impedidos de acessar o ensino técnico pela falta de horários alternativos.
“Tem muito aluno reclamando da falta de oportunidade de estudar por conta da ausência de cursos noturnos. Uma parcela da população que trabalha o dia inteiro. A gente está vendo que a educação de São Paulo está perdendo o ímpeto”, afirmou.
Haddad também criticou o ritmo da expansão do ensino em tempo integral sob a gestão atual. Na sua avaliação, a educação profissionalizante estadual “andou devagar” nos últimos anos — e professores ouvidos por ele esperam resultados negativos nos próximos indicadores nacionais de desempenho.
Campanha apoiada em dados e comparações históricas
Haddad adiantou a tônica que pretende adotar na campanha: apresentar indicadores econômicos e sociais para contextualizar a situação do estado e do país. Ele afirmou que São Paulo não vivia situação tão crítica desde o governo Fleury, entre 1991 e 1995.
“Nós não estamos andando devagar, nós estamos andando pra trás. O nosso objetivo é levar a melhor informação pro cidadão saber o que está acontecendo, porque hoje tem muita propaganda”, disse o pré-candidato.
Ao comentar as pesquisas presidenciais de 2026, Haddad previu uma “eleição apertada” e defendeu que o eleitorado avalie os governos com base em dados concretos. “Não tem um único dado da economia brasileira que não seja muito melhor hoje do que no governo dos Bolsonaro”, afirmou.
Valorização dos professores e investimentos em infraestrutura escolar foram apontados como pilares centrais do plano de governo que pretende apresentar ao longo da campanha ao Palácio dos Bandeirantes.
