Política

União Europeia reage à ameaça de tarifa de 30 dos EUA e busca negociação

Bloco europeu considera medida de Trump inaceitável e estende suspensão de contramedidas para tentar acordo

Os países da União Europeia classificaram como “absolutamente inaceitável” a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifa de 30% sobre importações do bloco. O anúncio foi feito pelo ministro dinamarquês Lars Lokke Rasmussen, nesta segunda-feira (14), após coletiva em Bruxelas com o chefe de Comércio da UE, Maros Sefcovic.

O bloco decidiu estender a suspensão de suas medidas contra as tarifas dos EUA até agosto, buscando negociar uma solução.

Reação e negociações em andamento

Durante a coletiva de imprensa, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, destacou que os estados-membros da União Europeia estão alinhados quanto à necessidade de adotar contramedidas caso as negociações com os Estados Unidos fracassem. “Se nenhuma solução satisfatória puder ser encontrada, a UE permanece pronta para reagir, e isso inclui contramedidas robustas e proporcionais, se necessário”, afirmou Rasmussen.

O chefe de Comércio da UE, Maros Sefcovic, reforçou o compromisso do bloco com o diálogo: “A UE nunca desiste sem um esforço genuíno, especialmente considerando o trabalho árduo investido, o quão perto estamos de fechar um acordo e os claros benefícios da solução negociada. Mas, como eu disse antes, são necessárias duas mãos para aplaudir”.

Além disso, Rasmussen ressaltou que a União Europeia busca diversificar suas relações comerciais e mencionou a urgência em finalizar acordos com o Mercosul e o México.

Contexto das tarifas e medidas do bloco

A nova tarifa de 30% dos Estados Unidos sobre importações da União Europeia foi anunciada no sábado (12). Em resposta, o bloco decidiu estender a suspensão de suas contramedidas até o início de agosto, conforme comunicado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no domingo (13).

Na semana anterior, o presidente Donald Trump adiou para 1º de agosto o início das chamadas “tarifas recíprocas”, que haviam sido anunciadas em abril. Desde então, os EUA enviaram cartas a líderes de 25 países parceiros, estabelecendo taxas mínimas para negociação, sendo o Brasil o país com a maior taxa anunciada até o momento.

O primeiro pacote de contramedidas da UE, que atingiria 21 bilhões de euros em produtos americanos, foi suspenso por 90 dias em abril para permitir negociações. Essa suspensão expiraria na segunda-feira. Um segundo pacote, com potencial de atingir 72 bilhões de euros em produtos americanos, está em preparação, mas ainda depende da aprovação final dos estados-membros e não teve sua lista divulgada.

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