Saúde

Cocaína quadruplica produção em dez anos e mercado global de drogas bate recordes

Relatório da ONU aponta expansão histórica do narcotráfico e alerta para nova onda de sintéticos que substituem a heroína
Conselho de Segurança da ONU em sessão sobre relatório de produção de cocaína no mundo

A produção mundial de cocaína pura atingiu 4,1 mil toneladas em 2024 — quatro vezes mais do que uma década atrás. O dado integra o Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, divulgado nesta sexta-feira (26) pelo UNODC.

No mesmo período, o mercado de metanfetamina registra crescimento estimado de 13% ao ano, calculado com base no volume de apreensões globais. Para a ONU, o narcotráfico internacional vive sua maior expansão histórica.

Colapso da heroína abre espaço para sintéticos perigosos

Uma mudança estrutural no narcotráfico global teve início em 2023, quando o Talibã proibiu o cultivo de ópio no Afeganistão — historicamente o maior produtor mundial da matéria-prima da heroína. Sem sinais de recuperação na lavoura afegã, a oferta global de heroína despencou.

O vácuo de mercado foi rapidamente preenchido por opioides sintéticos altamente perigosos, como o fentanil e os nitazenos — substâncias ainda mais potentes que a heroína e de difícil rastreamento pelas autoridades. Essa transição vem redesenhando o mapa do consumo global de entorpecentes.

Cocaína mais barata, mais pura e integrada ao cotidiano

Além da escalada na produção, o relatório da ONU destaca que a cocaína ficou mais barata e mais pura nas últimas anos. A mudança alterou também o perfil de consumo: pesquisas qualitativas apontam que a droga deixou de ser associada apenas à vida noturna e passou a integrar a rotina diária de usuários em ambientes sociais diversos.

Na esteira dessa maior oferta e acessibilidade, o documento registra um surto no consumo de crack entre populações socioeconomicamente vulneráveis. Parte dos novos dependentes migrou da heroína para o derivado da cocaína. Dados de centros de reabilitação na Europa Ocidental e Central confirmam que essa escalada é contínua desde 2015.

Impacto no Brasil e nas eleições de 2026

A expansão do mercado global de cocaína não é um fenômeno distante para o Brasil. Grupos criminosos chegaram a usar a droga como moeda de troca por votos em municípios dominados pelo tráfico — reflexo direto de um mercado que, segundo a ONU, quadruplicou a produção em apenas uma década.

O Relatório Mundial sobre Drogas do UNODC é o principal instrumento de cooperação multilateral no combate ao narcotráfico e influencia diretamente as políticas de segurança pública adotadas pelos países-membros. Para especialistas, a combinação de cocaína mais barata com sintéticos mais letais representa um desafio sem precedentes para os sistemas de saúde ao redor do mundo.

A rápida proliferação de novas substâncias sintéticas — formuladas para escapar da legislação vigente — adiciona mais uma camada de complexidade ao problema. Nitazenos são desenvolvidos em laboratórios para preencher o espaço deixado pelo colapso da heroína afegã, mas com potência e toxicidade ainda maiores, dificultando respostas clínicas e policiais eficazes.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos

Anvisa bane plataforma Voy por comercializar dispositivo médico sem registro

Reprovação escolar atinge mínima histórica no Brasil, aponta Censo 2025

Abandono escolar no ensino médio cai ao menor nível histórico em 2025