O Banco Central decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, distribuidora de títulos e valores mobiliários sediada em São Paulo, encerrando compulsoriamente suas atividades após três décadas no mercado.
A medida foi motivada por situação financeira comprometida e graves violações das normas do setor financeiro. Os bens dos controladores e ex-administradores foram bloqueados na mesma data.
A Sefer era investigada no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraude bilionária associada ao Banco Master, já liquidado pelo BC.
Com a decretação da liquidação, a Sefer encerra suas atividades sob supervisão do Banco Central, sem seguir o rito convencional de recuperação. A autoridade monetária informou que continuará apurando responsabilidades, com possibilidade de sanções administrativas e encaminhamento do caso a outros órgãos competentes.
Do esquema Master à liquidação
Em janeiro deste ano, a Sefer esteve entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura a suposta participação de fundos e corretoras em uma fraude bilionária associada ao Banco Master — cujo colapso ganhou dimensão internacional: a Suprema Corte das Bahamas autorizou a busca de ativos desviados no exterior, incluindo precatórios irregulares adquiridos via fundos investigados pela própria Compliance Zero. O caso tramita no STF.
Na ocasião da operação, todos os investigados negaram irregularidades. A Sefer declarou não ter praticado qualquer ato ilícito e afirmou atuar exclusivamente na gestão e administração de recursos de terceiros, sem conceder crédito com recursos próprios.
A Sefer não é caso isolado: o Banco Pleno também teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo BC depois de seu controlador ser incluído como alvo da Compliance Zero, revelando um padrão de desfechos regulatórios ligados ao esquema Master.
Impacto sistêmico limitado
O Banco Central ressaltou que a participação da Sefer no Sistema Financeiro Nacional é pequena. Enquadrada no segmento S4 — destinado a empresas de menor porte —, a distribuidora representa menos de 0,0004% dos ativos do sistema e cerca de 0,17% dos recursos administrados de terceiros.
Três décadas no mercado e histórico de irregularidades
Fundada em 1994 e controlada pela holding Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., a empresa afirmava ter mais de 30 anos de atuação no mercado financeiro, administrar bilhões de dólares em ativos e prestar serviços a dezenas de fundos de investimento.
Associada à ANBIMA desde 2005 e signatária de códigos de autorregulação do mercado de capitais, a distribuidora chegou à liquidação com antecedentes: já havia sido alvo de um procedimento de apuração de irregularidades encerrado em 2017.
A empresa também figurou como uma das maiores credoras no pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor. O conglomerado declarou dever cerca de R$ 430 milhões à corretora, mas a Sefer contestou a informação e negou ser credora do grupo.
