Política

Crime organizado usa cocaína para comprar votos e ameaça eleições de 2026

TRE-RJ mapeou 20 zonas eleitorais de risco; em Santa Catarina, droga foi usada como moeda eleitoral
Pichação do PCC e cocaína em composição editorial, mostrando crime organizado compra votos eleições

O crime organizado escalou sua interferência no processo eleitoral brasileiro. Grupos como PCC, Comando Vermelho e milícias financiam candidatos com dinheiro do tráfico e roubos — e, em pelo menos um caso, usaram cocaína como moeda de troca por votos.

Em Timbé do Sul (SC), um traficante negociou votos por droga: eleitores enviavam foto do título eleitoral e recebiam o equivalente a R$ 50 em cocaína. O candidato beneficiado chegou a presidir a Câmara Municipal antes de ser condenado.

Urnas sob pressão do crime organizado

A gravidade da situação no Rio de Janeiro levou o TRE-RJ a tomar medidas inéditas: nas eleições de 2024, o endereço de 53 locais de votação foi alterado para proteger eleitores de ameaças e coações. Para 2026, o tribunal já identificou ao menos 20 zonas eleitorais que precisarão mudar de lugar para evitar a influência criminosa.

O desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ, ressalta que o sistema eletrônico é seguro e o voto é secreto. O problema é a coerção física: o crime não tenta hackear urnas — ameaça os eleitores antes de chegarem a elas.

“Esse fenômeno já acontecia e agora está saltando aos olhos”, diz Nathalia Mariel, procuradora da Procuradoria-Geral Eleitoral. “Ele afeta não só a compra de votos em si, mas a possibilidade de as pessoas exercerem o direito de votar efetivamente de maneira livre.”

Em Belford Roxo (RJ), o policial militar Michel Maia foi flagrado em escutas ameaçando eleitores e relatando pagar entre R$ 50 e R$ 100 por votos no candidato Dinho Resenha — suspeito de ligações com a milícia. Ambos foram condenados por corrupção eleitoral. As defesas aguardam julgamento de recursos e contestam as acusações.

A pesquisa que revelou que 68 milhões de brasileiros convivem com facções ou milícias no próprio bairro ajuda a entender a dimensão do problema: a ocupação territorial pelo crime cria a base logística para coagir eleitores com muito mais facilidade.

Da cocaína à presidência da câmara

Em Timbé do Sul, no interior de Santa Catarina, uma investigação de tráfico revelou um esquema que misturou eleições e drogas de forma literal. O celular apreendido do traficante Claudiomir da Silva trazia registros detalhados da negociação: quem enviasse a foto do título eleitoral recebia o equivalente a R$ 50 em “moeda branca” — gíria para cocaína. Um eleitor confessou à polícia ter feito a troca.

O vereador beneficiado, Sadi Vieira, se elegeu, chegou a presidir a Câmara Municipal e só foi condenado por corrupção eleitoral no último mês de mandato, em 2024.

O padrão se repete em escala nacional. Em dez anos, a Polícia Federal abriu mais de 7.600 inquéritos sobre corrupção eleitoral — e 85% dos casos acontecem no interior, exatamente o perfil de municípios como Belford Roxo e Timbé do Sul.

Investigar esses crimes é difícil porque são delitos “herméticos”: ocorrem em círculos fechados ou familiares, onde o medo impede testemunhos. Em 2024, a PF bateu recorde histórico ao apreender R$ 28,6 milhões ligados a crimes eleitorais — quase seis vezes mais do que em 2022.

O promotor Guilherme Franchi resume as consequências: o voto vendido hoje reflete na falta de remédios, professores e merenda escolar amanhã. “Arrependimento até hoje é grande”, relatou um eleitor condenado em Santa Catarina — síntese do custo humano de uma escolha que compromete a democracia inteira.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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