As mudanças no processo de habilitação impulsionaram as provas práticas de direção a um recorde histórico. Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil realizou 2.280.021 exames práticos — alta de 23,5% em relação ao mesmo período de 2025.
O Ministério dos Transportes divulgou os números nesta terça-feira (24) e destacou que, mesmo com o salto na demanda, as filas na fase final do processo de habilitação não cresceram.
No mesmo intervalo, foram emitidas 1.138.190 novas CNHs sob o modelo reformulado — o maior volume já registrado pelo ministério para os primeiros cinco meses do ano.
O que mudou na habilitação
A principal alteração foi o fim da obrigatoriedade do curso teórico em autoescolas. A medida tem raiz na lei sancionada por Lula, que, além de criar a renovação automática para bons motoristas, liberou os candidatos à primeira habilitação de frequentar a autoescola para a parte teórica — mudança que gerou a economia de R$ 1,84 bilhão contabilizada pelo Ministério dos Transportes.
Antes das mudanças, o pacote completo de aulas teóricas e práticas custava entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Em estados como Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o curso teórico sozinho chegava a R$ 1 mil.
A distribuição da economia, porém, não é uniforme: 55% do total está concentrado em seis das 27 unidades da federação, expondo as disparidades regionais no custo de se habilitar no Brasil.
Novos critérios de aprovação
O Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular padronizou os critérios de avaliação em todo o país. No novo modelo, cada infração cometida durante a prova recebe uma pontuação específica, e o candidato é reprovado automaticamente ao acumular 10 pontos.
A baliza deixou de ser etapa obrigatória. A infração que antes gerava reprovação imediata também foi extinta: agora o candidato pode cometê-la e seguir com a prova, desde que não ultrapasse o limite de pontuação acumulada.
Cursos práticos também crescem
Além dos exames, os cursos práticos registraram alta expressiva: foram realizadas 2.343.393 aulas nos primeiros cinco meses de 2026, avanço de 20% sobre o mesmo período do ano anterior.
O crescimento simultâneo no número de candidatos e de habilitações emitidas aponta para uma desobstrução no fluxo do processo. A eliminação da etapa teórica obrigatória reduziu uma barreira de entrada historicamente associada ao custo elevado, com impacto direto para candidatos de menor renda.
As infrações durante o exame prático passam a ser classificadas por peso, cada uma com pontuação definida. O candidato pode acumular pontos em diferentes ocorrências ao longo da prova, mas a reprovação é automática ao atingir o limite de 10 pontos — sem exceção.
