A comissão de economia do Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira (23) o projeto de regulamentação do euro digital, moeda eletrônica emitida pelo Banco Central Europeu que poderá ser usada por qualquer residente da zona do euro em compras online e presenciais.
A aprovação abre caminho para negociações com governos da União Europeia e com a Comissão Europeia. A meta é obter aprovação final até o fim de 2026, com projeto-piloto previsto para 2027 e lançamento completo em 2029.
Em desenvolvimento há seis anos pelo BCE, o euro digital ganhou nova urgência quando Donald Trump voltou à Casa Branca. O retorno do republicano reacendeu o temor de que os EUA possam usar seu controle sobre redes de pagamento globais como instrumento de pressão política sobre aliados.
A dependência europeia de Visa e Mastercard — ambas americanas — é um dos principais argumentos para o projeto. O euro digital funcionará como carteira eletrônica garantida pelo banco central e distribuída por bancos ou fintechs, sem passar pelas redes de cartão dos Estados Unidos.
A aprovação na comissão chegou após três anos de disputas entre o BCE e os bancos europeus. O setor resistiu: temia a saída de depósitos, a perda de receitas e trabalhou para limitar o alcance da proposta ao longo de todo o processo de negociação.
A pressão americana sobre as finanças europeias ficou ainda mais nítida quando o Parlamento Europeu aprovou, sob ultimato de Trump, um acordo comercial assimétrico com os EUA — episódio que escancarou a vulnerabilidade do bloco diante do poder americano e acelerou o debate sobre autonomia em pagamentos e tecnologia.
Oposição da extrema direita e próximos passos
A aprovação não foi unânime. Siegbert Frank Droese, representante do grupo “Europa das Nações Soberanas” — de extrema direita —, afirmou que sua bancada votou contra a proposta. A oposição aumenta a possibilidade de uma nova votação em plenário, o que pode atrasar o calendário do projeto.
Se não houver objeções de peso, os parlamentares iniciam no próximo mês as negociações com os governos dos países-membros da União Europeia e com a Comissão Europeia. O objetivo é garantir aprovação final até o fim de 2026.
O BCE então conduzirá um projeto-piloto de 12 meses a partir do segundo semestre de 2027, antes do lançamento completo previsto para 2029.
O euro digital integra uma estratégia mais ampla da União Europeia de reduzir sua dependência de tecnologias norte-americanas — movimento que também levou o bloco a fechar uma parceria digital com o Brasil para escapar do domínio de Amazon, Google e Microsoft.
