Tecnologia

Justiça do DF condena Apple, Google e Microsoft por loot boxes em jogos

Indenização de R$ 300 milhões vai ao Fundo da Criança; decisão pioneira ainda pode ser revertida em recurso
Proteção infantil: condenação loot boxes crianças jogos após decisão da Justiça

A 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal condenou Apple, Google, Microsoft e outras gigantes do setor de games por uso abusivo de loot boxes com crianças e adolescentes.

A sentença, assinada em 9 de junho, determina indenização de ao menos R$ 300 milhões — a ser revertida ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do DF.

A ação foi proposta pela Anced, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código de Defesa do Consumidor.

O que são loot boxes e por que preocupam a Justiça

Loot boxes são caixas surpresas virtuais que oferecem recompensas aleatórias mediante pagamento. Para a juíza responsável pela sentença, a prática explora a vulnerabilidade infantojuvenil ao criar mecanismos similares aos dos jogos de azar, gerando compulsão, frustração e estresse em crianças e adolescentes.

A magistrada identificou ainda publicidade abusiva dirigida ao público infantil, que “se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança e do adolescente”. Outro ponto crítico foi a ausência de divulgação clara das probabilidades reais de obtenção de cada item — dados retidos exclusivamente pelas empresas e nunca revelados aos consumidores.

Além da indenização milionária, as companhias foram obrigadas a adotar medidas corretivas. O descumprimento prevê multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a 30 dias.

Quais empresas foram condenadas

Além de Apple, Google e Microsoft, o processo inclui Ubisoft, Konami, EA Games, Nintendo, Tencent e Garena. O Google informou que não vai comentar o caso. As demais empresas não se manifestaram até o fechamento da reportagem original.

O setor respondeu por meio da Associação de Software de Entretenimento (ESA), que afirmou em nota que a indústria “já conta com uma ampla variedade de mecanismos de proteção” — como classificações indicativas e controles parentais — e que vem implementando medidas adicionais desde a adoção dos novos padrões de segurança no Brasil.

A condenação no DF integra uma tendência global de responsabilização judicial de grandes plataformas por danos a menores. A Flórida, por exemplo, processou a OpenAI por expor crianças ao ChatGPT sem salvaguardas adequadas de proteção.

O mesmo mecanismo de compulsão identificado nas loot boxes pela juíza ressurge em outros contextos digitais: a Meta fechou acordo nos EUA para cobrir despesas escolares geradas pela crise de saúde mental associada ao vício em plataformas digitais — o mesmo padrão comportamental que a decisão do DF agora tenta coibir nos games.

A decisão ainda cabe recurso. Se mantida nas instâncias superiores, deve se tornar um dos precedentes mais relevantes da jurisprudência brasileira sobre responsabilidade de plataformas digitais frente ao público infantojuvenil.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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