Investigadores da Polícia Federal localizaram, durante buscas na residência de Henrique Moura Vorcaro, uma impressão de tela do sistema SINAPSE — ferramenta de inteligência de uso exclusivo e restrito da corporação.
O documento registrava consulta detalhada aos dados pessoais de Augusto Conte, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. A apreensão aponta que servidores públicos acessavam sistemas internos ilegalmente para favorecer o grupo criminoso investigado.
A descoberta foi feita durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na sexta fase da Operação Compliance Zero e consta em ofício enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), com análise preliminar dos materiais apreendidos.
O SINAPSE é uma ferramenta de inteligência de acesso restrito à Polícia Federal. Para as autoridades, o fato de um civil possuir fisicamente um registro impresso do sistema confirma que o grupo mantinha colaboradores dentro da corporação, realizando pesquisas sobre pessoas de interesse estratégico para os investigados.
Segundo o documento oficial, a apreensão “corrobora a hipótese de que HENRIQUE VORCARO dispunha a seu favor, no âmbito da Polícia Federal, de servidor(es) que se encontrava(m) disposto(s) a acessar, de maneira ilícita, os sistemas internos da corporação, a fim de atender seus interesses pessoais”.
Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, é apontado pela PF como integrante do “núcleo violento” do grupo e responsável por acionar estruturas para obter dados sigilosos — papel que a evidência física reforça. A Segunda Turma do STF analisou nesta terça-feira a manutenção de sua prisão preventiva, na mesma data em que a descoberta foi encaminhada ao relator do caso.
O achado do sistema SINAPSE não é episódio isolado no contexto da Compliance Zero. Semanas antes, a PF havia deflagrado operação contra um perito criminal da própria corporação suspeito de vazar dados da investigação — padrão de infiltração interna que a impressão física encontrada na casa de Henrique Vorcaro agora corrobora com evidência material.
A descoberta foi encaminhada em ofício ao gabinete de André Mendonça na mesma terça-feira em que a 2ª Turma do STF deliberava sobre as prisões da família. O material integra o pacote de novos dados enviados pela PF ao relator do caso, ampliando o escopo probatório disponível ao colegiado.
A investigação relaciona o acesso clandestino a dados sigilosos às atividades da estrutura liderada pela família Vorcaro e pelo operador Manoel Mendes Rodrigues. O achado indica que o esquema teria incluído a construção de uma rede de informantes dentro de órgãos de segurança pública, capaz de monitorar pessoas de interesse — inclusive ex-sócios — por meio de sistemas oficiais de inteligência.
