O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (16), que a cooperação internacional contra o crime organizado deve respeitar a soberania de cada país onde as facções atuam.
A declaração foi feita durante a reunião do G7, em Évian-les-Bains, na França, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre os presentes. O discurso foi lido por Lula e divulgado pelo Palácio do Planalto.
Recado com destinatário certo
A fala no G7 é um desdobramento direto do racha aberto em maio: Lula rejeitou a classificação americana de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e declarou que “quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros”.
A designação das duas facções como terroristas pelos EUA era um dos pontos mais sensíveis que Lula carregava para Évian — e o tema seguia sem resolução quando a cúpula teve início.
Ao defender a soberania no palco do G7, diante de Trump, Lula transformou uma disputa bilateral em posicionamento multilateral: o Brasil não aceita que potências estrangeiras ditem como o país deve nomear, classificar ou combater o crime organizado interno.
Tensões acumuladas na bagagem para a França
A viagem a Évian aconteceu num momento de acúmulo de atritos entre Brasília e Washington. A relação bilateral enfrentava pressões comerciais e o impasse sobre a classificação das facções — dois pontos que dominaram a agenda diplomática brasileira nos meses que antecederam a cúpula.
O discurso lido por Lula, divulgado pelo Palácio do Planalto, coloca o Brasil em posição de confronto retórico com os Estados Unidos em um fórum onde a presença de Trump tornava qualquer declaração sobre soberania particularmente carregada de significado político.
A estratégia do governo é afirmar autonomia sem romper canais diplomáticos — um equilíbrio que a cúpula do G7 testou na prática.
