O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (2) que o crime organizado se transformou em uma indústria nacional. A declaração foi dada durante entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, na TV Bahia, ao ser questionado sobre a violência no estado.
Lula também comentou a atuação da Força Nacional de Segurança Pública, enviada a Porto Seguro em abril, para reforçar a segurança em meio a conflitos entre indígenas e fazendeiros.
Violência na Bahia e atuação federal
Durante a entrevista, Lula destacou que a presença do crime organizado é um problema nacional, não restrito à Bahia. O presidente afirmou que “as forças de segurança só entram quando o estado precisa e pede. A gente não faz intervenção com a força de segurança. Se tiver um conflito que a polícia local não está dando conta, porque em alguns estados a polícia local se coloca ao lado de um dos lados, normalmente do lado do mais forte, então a força nacional entra”.
Segundo dados do Atlas da Violência 2025, divulgado em maio deste ano, a Bahia registrou a segunda maior taxa de mortes entre jovens em 2023. O cenário de insegurança motivou o envio de agentes federais para áreas conflituosas do estado.
Conflitos fundiários e indígenas
Em abril, agentes da Força Nacional de Segurança Pública foram enviados a Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, para atuar em conflitos entre indígenas e fazendeiros. O grupo permanecerá no município por 90 dias.
No dia 4 de abril, João Celestino Lima Filho, de 50 anos, foi morto durante um conflito fundiário em Prado. Segundo a polícia, 20 indígenas da Aldeia Reserva dos Quatis, do território Comexatibá, entraram em uma fazenda para retomar a área. No mesmo período, outro grupo ocupou a entrada do Parque Nacional do Descobrimento, também em Prado, permanecendo cerca de 20 dias para reivindicar a homologação da terra indígena Comexatibá, alvo de disputa judicial há anos.