O presidente Lula posou ao lado de Donald Trump na foto oficial do G7, nesta terça-feira (16), durante a cúpula em Évian-les-Bains, na França — mas os dois líderes não chegaram a se cumprimentar.
A imagem contrasta com o clima real entre os dois países: Washington ameaça impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, e o governo Lula classificou a medida como inaceitável.
Na composição do retrato oficial, Lula ficou ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, posicionada logo atrás. Trump, que havia ficado de fora da foto no G7 do ano passado, desta vez apareceu ao lado do anfitrião Emmanuel Macron.
Após o retrato, Lula e Von der Leyen conversaram brevemente no mesmo local. Quando Trump passou pelos dois, não houve cumprimento entre o brasileiro e o americano. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação de qualquer contato direto entre os dois presidentes durante a abertura da cúpula.
A agenda do governo brasileiro inclui bilateral com Von der Leyen às 17h20 (horário local), com a presença de António Costa, presidente do Conselho Europeu.
O tarifaço que paira sobre a cúpula
A tensão de fundo vem de Washington. O USTR — Escritório do Representante de Comércio dos EUA — concluiu uma investigação e propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas "irrazoáveis" que prejudicariam empresas americanas.
Entre os alvos da crítica americana estão regras sobre o Pix, políticas ambientais, normas de combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual e decisões do Judiciário brasileiro contra plataformas de tecnologia dos EUA.
A medida ainda não está em vigor: o USTR realiza consultas públicas antes de uma decisão final, prevista para julho. O governo Lula reagiu com críticas e afirmou que o país não pode aceitar medidas unilaterais.
A estratégia de Lula para o G7 é criticar o protecionismo e o unilateralismo sem confrontar Trump diretamente. Segundo diplomatas, o presidente pretende passar o "recado" aos líderes do grupo sem "apontar o dedo na cara" do americano.
Semanas antes, com as negociações técnicas com Washington já consideradas encerradas sem resultado, o Planalto havia apostado no G7 como última chance para uma conversa direta entre os dois presidentes sobre o impasse das tarifas.
Na reunião preparatória da semana passada, o ministro Mauro Vieira defendeu que organismos como a OMC precisam ter mais força para atuar num cenário de medidas unilaterais — uma referência direta ao tarifaço americano.
Além da disputa com os EUA, Lula chegou a Évian carregando outra pressão: a União Europeia havia proibido a entrada de carnes, peixes e mel brasileiros, o que torna a bilateral com Von der Leyen ainda mais estratégica.
Na agenda do G7, há também um almoço dedicado à inteligência artificial. Lula deve defender que o Brasil não persegue plataformas digitais e está aberto a receber empresas de tecnologia, desde que respeitem a legislação brasileira — resposta direta a uma das justificativas usadas pelo USTR para o tarifaço.
