Na margem da cúpula do G7 em Évian, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta segunda-feira (15) o primeiro encontro bilateral da viagem à França: uma reunião com o presidente suíço Guy Parmelin.
Os dois líderes defenderam a ampliação das exportações mútuas e o fortalecimento do acordo comercial entre o Mercosul e a EFTA, bloco europeu de livre comércio.
Mas é outro encontro que concentra a atenção do Planalto: uma possível reunião com Donald Trump, ainda sem data confirmada.
Agenda bilateral em Évian vai além do comércio
No encontro com Parmelin, os presidentes firmaram compromisso de ampliar a cooperação em inteligência artificial, transição energética, minerais críticos, biotecnologia, saúde e defesa.
O planejamento brasileiro para a visita à França previa usar o G7 para avançar em negociações comerciais, reforçar a articulação do Brasil no cenário global e discutir temas da conjuntura internacional, incluindo as guerras em andamento.
A lista de encontros bilaterais é ajustada conforme a programação do evento e a disponibilidade das delegações — o que explica o caráter ainda incerto de uma eventual reunião com o presidente americano.
Lula chegou à França carregando uma pressão concreta: tarifas americanas que podem atingir 37,5% sobre produtos brasileiros. A ameaça das tarifas moldou toda a agenda diplomática da viagem, colocando o eventual encontro com Trump no centro das expectativas do Planalto.
Impasse da Seção 301 pressiona o Planalto em Évian
O interesse do governo brasileiro em um encontro informal com Trump vai além do protocolo diplomático. Após meses de negociações técnicas ignoradas por Washington, o Planalto concluiu que só uma conversa direta entre os dois presidentes pode destravar o impasse da Seção 301 — mecanismo americano que embasa as ameaças tarifárias contra exportações brasileiras.
O governo trabalha com a possibilidade do encontro acontecer às margens da cúpula, mas reconhece que nada está previamente marcado. A reunião dependeria da abertura da delegação americana durante a programação do evento.
A estratégia do Palácio do Planalto combina duas frentes: consolidar acordos com parceiros europeus — como a Suíça — enquanto mantém o canal aberto para uma aproximação com os Estados Unidos capaz de proteger as exportações brasileiras das novas tarifas.
