Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi ‘Sicário’ Mourão, ameaçou revelar arquivos capazes de “acabar com a família” do banqueiro Daniel Vorcaro — e aliados do dono do Banco Master movimentaram recursos para comprar seu silêncio.
Os detalhes constam em documentos de investigação preliminar da Polícia Federal obtidos pelo Tropiquim. As mensagens interceptadas expõem a negociação entre a família de um criminoso morto após ser preso e o entorno do maior escândalo bancário dos últimos anos.
Desespero financeiro vira moeda de pressão
A crise começou após a prisão e morte de ‘Sicário’. Sem renda e com dívidas vencendo — uma parcela de R$ 40 mil de financiamento e mais uma prestação da casa —, Joana passou a cobrar interlocutores da família Vorcaro. “Estou desesperada já”, escreveu em mensagens capturadas pela PF.
O elo entre as duas famílias era Manoel Mendes Rodrigues, o “Manolo”, braço direito de Henrique Vorcaro — pai de Daniel — no Rio de Janeiro. Keysom Moreira, primo de Joana, chegou a alertar os interlocutores do banqueiro: “Vou na mãe dela, que este menina é descontrolada”.
A PF enquadra “Manolo” como líder da chamada “Turma” — grupo que reunia operadores de ameaças, coerções e levantamentos clandestinos com vínculos no jogo do bicho. Esse mesmo grupo foi identificado como milícia privada durante a perícia dos celulares apreendidos com Daniel Vorcaro. Para os investigadores, a reputação de Manoel na contravenção era explorada deliberadamente para dar credibilidade às ameaças e causar medo — um “instrumento de pressão física e moral” a serviço dos interesses da família Vorcaro.
O encontro e a tentativa de acordo
Diante das ameaças, “Manolo” articulou um encontro presencial para 28 de abril de 2026. Joana compareceu com a mãe, Denise. O resultado foi comunicado ao próprio Henrique Vorcaro em mensagem: “Estamos conversando com a mãe aqui (…) vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo, no nome dela mãe, para resolver a questão, amanhã dr André já entrará em contato com o dr Thiago para alinhar isso”. O encontro terminou às 0h38, quando “Manolo” avisou: “Saí agora, amanhã conversamos”.
Ameaças escalaram após nova prisão na família
O acordo costurado em abril não silenciou Joana. Em 7 de maio de 2026, ela enviou a “Manolo” um link do Instagram sobre a prisão de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, acompanhado de uma ameaça explícita: “Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho, no que depender de mim HV será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”
A sigla “HV” refere-se a Henrique Vorcaro, principal alvo das cobranças de Joana. A prisão de Felipe Cançado funcionou como gatilho para a escalada — e o episódio coincidiu com o período em que Daniel Vorcaro negociava acordos de delação premiada com as autoridades, ampliando a pressão sobre todo o processo.
O caso integra as investigações mais amplas do Caso Master, que resultou na Operação Compliance Zero e nas prisões preventivas de membros da família Vorcaro. As decisões prisionais seguem sob análise da Segunda Turma do STF.
