Uma pílula que dobra a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas e uma terapia genética desenvolvida no Brasil com quase 90% de eficácia em linfoma: junho de 2026 entrou para a história da oncologia com dois marcos distintos.
O primeiro veio de Chicago, onde mais de 50 mil médicos e pesquisadores aplaudiram de pé — até emocionados, com lágrimas nos olhos — os resultados da daraxonrasib no maior congresso de oncologia do mundo.
O segundo, de Ribeirão Preto, onde pesquisadores da USP anunciaram os dados da terapia CAR-T Cell com eficácia de quase 90% em linfoma — tecnologia inteiramente desenvolvida no Brasil.
Daraxonrasib: a pílula que emocionou a oncologia mundial
A daraxonrasib é um medicamento oral voltado ao câncer de pâncreas, considerado pelos especialistas o tipo mais letal da doença. No congresso da ASCO, em Chicago, os resultados do estudo clínico provocaram uma reação raramente vista em eventos científicos: aplausos de pé, emoção visível e até lágrimas entre os presentes.
O oncologista Fernando Maluf, cofundador do Instituto Vencer o Câncer, explica o mecanismo de ação do medicamento e o que há de mais atual no tratamento oncológico. Como o Tropiquim já havia documentado, o daraxonrasib registrou 6,5 meses a mais de sobrevida e apenas 1,2% de abandono por efeitos colaterais — números que redefinem o padrão de cuidado para pacientes com a doença em estágio avançado.
CAR-T Cell made in Brazil: 90% de eficácia no linfoma
Em Ribeirão Preto, o Hemocentro da USP apresentou resultados que também surpreenderam: a terapia CAR-T Cell, que modifica células do sistema imunológico para atacar o tumor, alcançou quase 90% de eficácia em pacientes com linfoma, um tipo de câncer no sangue.
O diferencial é que toda a tecnologia foi desenvolvida no Brasil. Diego Villa Clé, professor de Hematologia da USP e coordenador da pesquisa, detalha o processo de desenvolvimento e os próximos passos para ampliar o acesso ao tratamento.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a intenção de incorporar a CAR-T Cell ao SUS. A promessa, porém, esbarra em um desafio concreto: antes do desenvolvimento nacional, o tratamento importado chegava a custar R$ 4 milhões por dose. O Tropiquim já analisou esse impasse quando os dados internacionais da CAR-T apontavam 80% de remissão em cânceres agressivos — e a incorporação ao sistema público segue sendo um desafio que vai muito além da eficácia clínica.
Também no episódio, o paciente Paulo Pelegrino relata em primeira pessoa a experiência com o tratamento experimental e parte do processo de remissão do seu câncer, humanizando o que os índices de eficácia representam na vida real.
Sobre o episódio
A repórter Natuza Nery conduz as entrevistas no episódio 1739 do O Assunto, podcast diário do g1 disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde agosto de 2019, o programa acumula mais de 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube.