Saúde

CAR-T elimina câncer agressivo em 80% dos casos, mas preço de R$ 4 mi barra acesso no SUS

Brasil é único na América Latina com estrutura para o tratamento, mas judicialização e logística continental ainda isolam pacientes
Paciente e profissional de saúde com símbolo do SUS, representando acesso à terapia CAR-T na saúde pública do Brasil

A terapia CAR-T elimina completamente tumores em mais da metade dos pacientes com cânceres agressivos do sangue, com taxas de resposta de até 80%. No Brasil, o tratamento que pode custar até R$ 4 milhões por dose chegou antes da estrutura capaz de entregá-lo.

Um estudo publicado na revista Frontiers in Hematology reúne especialistas em oncologia, saúde pública e direito à saúde para mapear os entraves ao acesso no país. O diagnóstico é duro: pacientes morrem enquanto esperam.

O Brasil é o único país da América Latina com acesso estruturado à CAR-T, com quatro terapias aprovadas pela Anvisa entre 2022 e 2024. Mas a distância entre aprovação regulatória e tratamento efetivo continua sendo medida em reais, filas e processos judiciais.

Como a terapia reprograma o sistema imunológico

A CAR-T funciona como uma engenharia celular: médicos coletam linfócitos T do sangue do paciente, modificam geneticamente essas células em laboratório para que reconheçam e ataquem tumores específicos, e as reinfundem no organismo. Em mais da metade dos casos, os tumores desaparecem completamente, com remissões que podem durar anos.

Hoje, o tratamento é aprovado no Brasil para leucemias, linfomas e mieloma múltiplo — alguns dos cânceres hematológicos mais resistentes às terapias convencionais.

O custo que transforma terapia em privilégio

O estudo aponta que o tratamento pode ultrapassar US$ 500 mil por paciente — equivalente a cerca de R$ 2,8 milhões. Em alguns casos, o valor já se aproxima de R$ 4 milhões em dose única, segundo os próprios especialistas. Além do preço, o tratamento exige centros altamente especializados, equipes treinadas e estrutura hospitalar complexa.

No SUS, faltam modelos específicos de financiamento e protocolos de incorporação. No setor privado, o impacto recai sobre as operadoras de saúde. O resultado é uma enxurrada de ações judiciais — e um sistema que acaba criando desigualdade onde deveria garantir direito.

Às vésperas da publicação do estudo, o governo federal incorporou 23 medicamentos oncológicos ao SUS e anunciou nova tabela de custeio — mas a terapia CAR-T ainda não figura entre as opções cobertas.

Barreira geográfica e logística

Parte das células coletadas de pacientes brasileiros precisa ser enviada para laboratórios nos Estados Unidos e na Holanda antes de retornar ao país para aplicação. Em um território continental, isso cria obstáculos sérios. \”Em algumas regiões do país, haverá pacientes que precisarão passar até dois dias em um barco para chegar a um centro habilitado\”, afirma o oncologista Stefani. Até problemas em conexões aéreas, segundo ele, podem comprometer o processo.

Produção nacional pode mudar o jogo

Para romper a dependência de laboratórios estrangeiros e ampliar o acesso, o estudo aposta na produção brasileira da CAR-T. Iniciativas lideradas pela Fiocruz, pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), pela Universidade de São Paulo (USP) e por parceiros internacionais buscam desenvolver versões nacionais da terapia.

A referência são Índia e China, onde experiências semelhantes já mostram redução de custos de até dez vezes — embora o tratamento siga caro mesmo nesses cenários. Se o Brasil avançar nessa direção, pode se tornar referência regional em terapias celulares avançadas, segundo os autores do estudo.

As recomendações do levantamento incluem a criação de protocolos nacionais, a ampliação de centros habilitados e o desenvolvimento de sistemas de acompanhamento de pacientes. Para os pesquisadores, o avanço depende de investimento em infraestrutura, qualificação profissional e reorganização do sistema de saúde.

A crise de acesso, no entanto, não é exclusiva das terapias de última geração. Pouco antes da publicação do estudo, a falta de ciclofosfamida — quimioterápico básico da oncologia — já forçava médicos brasileiros a reescrever protocolos de tratamento em tempo real, revelando a fragilidade estrutural que atravessa todo o setor.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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