A polícia migratória americana (ICE) prendeu nos EUA Felipe Dell Aquilla, o “Don”, ex-chefe das facções PCC e Comando Vermelho, nesta segunda-feira (15), em Mooresville, na Carolina do Norte.
Dell Aquilla tinha uma ordem de busca e captura da Interpol solicitada pelo Brasil pelas acusações de associação criminosa e extorsão. Ele tentava fugir de carro para o México quando foi interceptado num controle de tráfego.
No momento da prisão, Dell Aquilla mantinha a própria esposa como refém dentro do veículo. Ao tentar escapar do bloqueio, o foragido perdeu o controle do carro e sofreu um acidente. Com ele, as autoridades encontraram uma arma, dinheiro em espécie e celulares.
Captura ocorre três semanas após designação terrorista
A prisão acontece menos de três semanas após os Estados Unidos designarem PCC e CV como organizações terroristas — decisão anunciada sem aviso prévio ao governo Lula, que atuava nos bastidores para barrar a medida.
Com a designação publicada no Federal Register em 5 de junho, qualquer transação financeira com membros das facções no exterior passou a ser bloqueada pelos EUA — o que amplia as consequências jurídicas para foragidos como Dell Aquilla capturados em solo americano.
A tensão entre Washington e Brasília sobre o tema é anterior à captura. Em maio de 2025, o chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos EUA, David Gamble, pediu formalmente que o Brasil classificasse PCC e CV como organizações terroristas. O governo negou o pedido.
O que diz a legislação brasileira
O secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, justificou a recusa argumentando que as facções não se enquadram na definição constitucional de terrorismo no Brasil.
A Lei Antiterrorismo de 2016 define o crime como atos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com o objetivo de provocar terror social ou generalizado — critérios que, segundo o governo, não se aplicam ao PCC nem ao Comando Vermelho.
