O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (13) que o acordo de paz com o Irã será assinado neste domingo (14) e que o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente após a cerimônia.
Teerã contradiz a data: o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura não ocorrerá amanhã, embora não descarte os próximos dias.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou que os dois países chegaram a um entendimento e disse que o país prepara uma assinatura eletrônica esperada nas próximas 24 horas, seguida de negociações técnicas na semana que vem.
Em postagem no Truth Social, Trump descreveu o acordo como uma barreira definitiva para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. O presidente americano prometeu trabalhar em conjunto com Teerã e o restante do Oriente Médio e afirmou que, no momento apropriado, os EUA recolherão o resíduo nuclear enterrado no subsolo iraniano e o destruirão.
Nenhuma das partes divulgou oficialmente o conteúdo do memorando. Com base em fontes dos dois governos, a CNN Internacional apontou restrições ao programa nuclear iraniano entre os termos do documento, enquanto a agência Reuters ouviu de um alto funcionário americano que há um “acordo sólido com o Irã”. A imprensa estatal iraniana, por sua vez, publicou que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio.
Paquistão como mediador
O papel de Islamabã ganhou destaque neste sábado. Sharif publicou na rede social X que os dois países concordaram com os termos do acordo — postagem que o próprio Trump compartilhou — e informou que o Paquistão se prepara para a assinatura eletrônica nas próximas 24 horas, seguida por negociações de nível técnico na semana que vem.
Três semanas antes, Trump havia descartado qualquer concessão sobre Ormuz e prometido retirar o urânio enriquecido do território iraniano — exatamente os dois pilares centrais do acordo agora anunciado. Leia o que Trump disse antes sobre Ormuz e o urânio iraniano.
A reviravolta nas negociações foi abrupta. Na quinta-feira (11), Trump havia anunciado uma terceira noite de bombardeios ao Irã e declarado intenção de assumir o controle do petróleo iraniano — para então cancelar os ataques horas depois, ao afirmar que os negociadores chegaram a um consenso. Veja o que Trump declarou antes de suspender os ataques ao Irã.
O acirramento tem origem na queda de um helicóptero militar americano no Estreito de Ormuz, atribuída por Trump ao Irã. A troca de ataques que se seguiu incluiu bombardeios americanos a sistemas de defesa iranianos e radares em Ormuz, contra-ataques iranianos a uma base no Bahrein e mísseis lançados ao Golfo Pérsico. O Irã fechou o Estreito e declarou o cessar-fogo vigente “sem sentido”.
A mudança de postura iraniana é notável. Em maio, o Parlamento do Irã chamava Trump de “blefe” e dizia que o preço da gasolina nos EUA era “problema dos americanos” — o mesmo país que, segundo Islamabã, agora concordou com os termos de um acordo de paz. Relembre como o Irã respondia às ameaças americanas em maio.
A semana que vem deve ser decisiva. Se a assinatura eletrônica mediada pelo Paquistão se confirmar, o acordo ainda precisará passar por rodadas técnicas antes de ser formalizado — e a contradição entre Trump e Teerã sobre a data já sinaliza que o caminho à frente pode ter mais curvas.
