Economia

Guerra no Oriente Médio eleva custo de combustível das aéreas em R$ 5,2 bi

Aumento acumulado do querosene chega a 49% desde fevereiro e já consome 39% dos custos das companhias
Barris de petróleo com mapa do Estreito de Ormuz ao fundo, refletindo impacto da guerra no custo do combustível de aviação

Companhias aéreas brasileiras gastaram R$ 5,2 bilhões a mais com querosene de aviação em 2026, aponta a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

O aumento decorre da escalada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, iniciados no fim de fevereiro.

Com o reajuste de 1,9% aplicado pela Petrobras em 1º de agosto, o combustível acumula alta de 49% e já responde por 39% dos custos operacionais das aéreas, ante 32% antes da guerra.

Alta do petróleo pressiona operação das aéreas

A forte exposição das companhias aéreas brasileiras à volatilidade do mercado internacional de combustíveis fez o preço do QAV praticamente dobrar em maio, na comparação com o período anterior ao início da guerra. A disparada acompanhou a trajetória do petróleo Brent, que superou US$ 96 em meio à escalada militar no Estreito de Ormuz — patamar que reacendeu o temor de uma nova onda inflacionária global.

Com o novo reajuste da Petrobras, o querosene passou a representar 39% dos custos operacionais das companhias aéreas, ante os 32% registrados antes do conflito. O combustível é, historicamente, um dos itens mais sensíveis do orçamento das aéreas, por depender diretamente das cotações internacionais do petróleo.

BNDES libera crédito para conter o impacto

No fim de julho, o BNDES aprovou uma linha de crédito de até R$ 8 bilhões para reforçar as despesas de Azul, Abaeté, Gol e Latam, socorro anunciado pelo presidente Aloizio Mercadante, que citou o duplo golpe da pandemia e da guerra sobre o setor aéreo.

Os recursos, provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), poderão ser utilizados até dezembro de 2026 pelas empresas de transporte aéreo regular doméstico. A medida busca dar fôlego financeiro rápido diante da alta nos custos do combustível, que quase dobrou entre abril e maio deste ano por causa da escalada da guerra no Oriente Médio.