Saúde

Cortes na ajuda internacional ameaçam décadas de avanços contra o HIV

Unaids alerta que colapso no financiamento pode reverter conquistas globais; América Latina registra alta de 13% em novas infecções
Composição editorial da ONU e mapa latino-americano sobre cortes na ajuda internacional no combate ao HIV

A agência da ONU responsável pelo combate ao HIV, o Unaids, emitiu alerta grave nesta sexta-feira (12): os cortes abruptos na ajuda internacional estão desmantelando décadas de avanços contra a doença e colocam milhões de vidas em risco.

O relatório aponta um colapso nos financiamentos globais. Os recursos destinados à distribuição de preservativos despencaram 90%. Os fundos para programas de prevenção caíram 80%. O número de pessoas usando a PrEP — tratamento preventivo essencial — recuou 38% em cerca de 60 países entre 2024 e 2025.

O colapso do financiamento global

As decisões mais drásticas partiram dos Estados Unidos, onde o governo Trump, em seu segundo mandato, praticamente desativou a Usaid, a agência americana dedicada à ajuda exterior. Mas o movimento não é isolado: Alemanha, França e Reino Unido também reduziram de forma significativa suas contribuições, deixando ONGs em dificuldade e esvaziando programas de saúde nas regiões mais vulneráveis do planeta.

O Unaids estima que 570 mil pessoas morreram de aids no ano passado e que 1,2 milhão foram infectadas. Apesar de esses números manterem a tendência de queda registrada desde 2010, a agência alerta que ainda não refletem o impacto real dos cortes, cujos efeitos devem se aprofundar nos próximos anos.

América Latina na contramão

O cenário regional é preocupante. Entre 2010 e 2025, as novas infecções por HIV cresceram 13% na América Latina — na contramão de regiões como o Caribe, que registrou queda de 30%, e Europa Ocidental e América do Norte, com redução de 13%.

O crescimento mais alarmante ocorreu no Oriente Médio e Norte da África, onde as novas infecções subiram 77% no mesmo período. Europa Oriental e Ásia Central registraram alta de 15%.

Diante do colapso da ajuda externa, mais de cinquenta países anunciaram o compromisso de ampliar, com recursos próprios, os investimentos no combate ao HIV. Entre os latino-americanos, figuram Bolívia, Brasil, Chile, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Peru e Equador.

Byanyima reconhece o avanço, mas é categórica: o esforço doméstico não irá compensar a queda dos recursos internacionais.

No campo científico, uma das apostas mais promissoras é o lenacapavir, desenvolvido pelo laboratório Gilead. O medicamento demonstrou alta eficácia tanto na prevenção quanto no tratamento do HIV, com ação prolongada e sem necessidade de administrações frequentes. O obstáculo é o acesso: o fármaco segue concentrado quase exclusivamente nos países mais ricos, o que aprofunda a desigualdade global no enfrentamento da epidemia.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Casos de HIV crescem no Brasil e reacendem alerta global da ONU

Cortes de Trump à ajuda humanitária podem causar 14 milhões de mortes até 2030 diz estudo

HIV: total de pacientes em remissão no mundo sobe para 13 após transplantes

Injeção semestral com eficácia de 100% contra HIV enfrenta fila burocrática para chegar ao SUS

PrEP reduz risco de infecção por HIV e está disponível no SUS

Relatório da Oxfam aponta que fortuna dos mais ricos pode erradicar pobreza global